Usina de Letras
Usina de Letras
84 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 59659 )

Cartas ( 21254)

Contos (13324)

Cordel (10319)

Crônicas (22226)

Discursos (3169)

Ensaios - (9535)

Erótico (13486)

Frases (47208)

Humor (19419)

Infantil (4619)

Infanto Juvenil (3936)

Letras de Música (5497)

Peça de Teatro (1340)

Poesias (138766)

Redação (3078)

Roteiro de Filme ou Novela (1061)

Teses / Monologos (2432)

Textos Jurídicos (1946)

Textos Religiosos/Sermões (5656)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Ensaios-->ADEUS MARGARIDAS -- 24/10/2003 - 10:56 (ALEXANDRA APARECIDA JAHNEL PASCOAL) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
ADEUS MARGARIDAS


Era a primeira vez que eu possuía um jardim, havia nele margaridas, rosas, bocas-de-leão; todas as flores mais coloridas que eu pudesse encontrar ali estavam; então aconteceu: fora devastado por um vento forte, muitos pisaram nesse jardim e a terra podia ser vista abaixo de meus pés, não havia mais flores.
Era a segunda vez que eu possuía um jardim, plantei nele novamente minhas margaridas, rosas, petúnias, todas as flores mais coloridas mas aquelas que pudessem sobreviver a um vento mais forte; então aconteceu: pessoas correndo, fugindo da vida, fugindo da morte, fugindo de tudo pisou em meu jardim e, novamente, minhas flores beijaram o chão e novamente a terra pura estava sob meus pés.
Era a terceira vez que possuía um jardim, plantei rosas ao redor do canteiro, cria que elas protegeriam as demais flores; petúnias e margaridas no centro e alguns girassóis. Sim, esse jardim durou muito, passei por tempestades, tumultos, e a felicidade de ver meu jardim era imensa, tão imensa que proclamei aos quatro cantos o quão lindo ele era; então aconteceu: fui arrancada de meu jardim, não colhi minhas próprias flores, elas foram colhidas por outros; não as replantei, outros o fizeram.
Fiquei anos sem um jardim, sem plantar uma única margarida, sem ver a cor dos girassóis, sem ter a preocupação de saber se o céu estava claro e azul ou se uma tempestade se aproximava; então aconteceu: fui apresentada a um outro jardim. Timidamente semeei pouco no começo, fui conhecendo a terra, a chuva, os ventos; e comecei novamente um novo jardim, dessa vez me arrisquei e semeei muitas margaridas; o terreno era árido e pedregoso; não havia ninguém que houvesse arriscado uma semente naquele solo; mas eu, não sem ajuda, o transformei em um jardim de milhões de margaridas. O vento norte trouxe um cheiro forte de terra molhada, há uma tempestade de vento e granizo se aproximando, há barulho de pessoas pisando forte, há chance de perder novamente meu jardim... Me pedem agora para abandonar meu jardim, terei outro lugar para semear, outra coisa para semear, mas o campo não haverá de ser meu, não haverei de colher minhas margaridas...Elas parecem agora tão pequenas e sem importância que me pergunto, por que semear algo mais, por que voltar a semear, por que tratar a terra de terreno alheio se não deram o valor devido a minhas margaridas?
Meu céu está negro...o vento sopra...luto em vão contra a tempestade...eu caio e choro...não há o que fazer...eu grito minha despedida a minhas margaridas.


XANTRA LENHAJ
24/10/2003
Comentarios
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui