Usina de Letras
Usina de Letras
138 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 62181 )

Cartas ( 21334)

Contos (13260)

Cordel (10449)

Cronicas (22532)

Discursos (3238)

Ensaios - (10351)

Erótico (13567)

Frases (50584)

Humor (20028)

Infantil (5425)

Infanto Juvenil (4757)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1376)

Poesias (140792)

Redação (3302)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1959)

Textos Religiosos/Sermões (6184)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Ensaios-->A GRAMÁTICA DO TEXTO, NO TEXTO[1] -- 17/06/2004 - 05:13 (Eustáquio Mário Ribeiro Braga) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Observa-se que a autora Maria da Graça Costa Val, na palestra A gramática do texto, no texto, procura fazer uma reflexão sobre o ensino de gramática muito embora afirme que não estava trazendo nenhuma novidade absoluta, mas que está apresentando a costura de algumas idéias que circulam nas academias e nas escolas, no âmbito da discussão teórica e da prática que se vem realizando. A proposta é salutar, pois a autora tem como meta delinear uma proposta e formular exemplos de atividades que ilustram algumas das possibilidades que antever para uma prática de ensino de gramática compatível com uma visão discursiva da língua.

Segundo a autora, há três maneiras para a compreensão da língua nas grandes famílias teóricas: estudos que vêem a língua como estrutura; a língua como atividade mental; a língua como atividade social. Todavia, os componentes gramaticais, semântico-cognitivos e discursivos da língua se interdependem entre si, formando a sistematização, que se constitui na interlocução através da atividade lingüística coletivo dos falantes. Entende-se que a gramática era vista como um construtor teórico que identifica as unidades formais e descrevem-se as relações entre essas unidades e suas possibilidades de combinações no interior do sistema, no sentido de uniformizar e valorizar a linguagem nacional. Em virtude dos avanços no campo teórico dos estudos da gramática dentro dos limites do modelo estabelecido do ensino de Português, encaminharam a muitas discussões e várias propostas defendidas por lingüistas e educadores. Então, entende-se que a gramática de Português significa ser capaz de interagir com sucesso nas diversas práticas sociais de linguagem, usando adequadamente diferentes variedades da língua, de acordo com as circunstâncias de uso. Conclui-se que através da última família teórica é que se pode pensar em gramática do texto e no texto.

É imperativo lembrar que tais reflexões são comuns no pensar dos lingüísticas e dos novos educadores, mas na contramão existe o sistema totalmente viciado que na prática impede a ação contínua do educador no sentido de modificar a cultura discriminadora da variedade menos prestigiada. Uma coisa é utilizar a gramática internalizada nas praticais sociais de linguagem, a outra é conseguir ensinar como e quando se deve utilizar a gramática normativa e qual a sua relevância, no contexto dos exames e no processo de revisão textual.

Os avanços no campo teórico dos estudos da gramática dentro dos limites do modelo estabelecido de ensino de Português, levaram a muitas discussões e várias propostas defendidas por lingüistas e educadores. Refere-se da compreensão de que saber Português se baseia em saber a gramática de Português. Isto significa ser capaz de interagir com sucesso nas diversas práticas sociais de linguagem usando adequadamente diferentes variedades da língua, de acordo com as circunstancias que condicionam o uso. Neste caminho, vários lingüistas como: Castilho[2], Franchi[3], Geraldi[4] e Possenti[5] têm convergência em suas opiniões pela busca do ideal de ensino que hoje são marcados pelas iniciativas e movimentos na direção de um ensino em que os conhecimentos gramaticais e textuais sejam trabalhados de maneira integrada. Não obstante, as universidades e as políticas públicas de decisões tinham convergências em relação aos aspectos de discussão restrita aos círculos privilegiados de educadores, tendo os profissionais de ensino um acesso superficial. Por isso, a apropriação consistente de conceitos e princípios operatórios somente virá com empenho coletivo de construir um saber prático, que possibilite aos professores algumas seguranças quanto ao que se fazer em sala de aula. Atualmente, o ensino da Língua Portuguesa tem sido dividido em: leitura, produção de texto e gramática, de modo que não interdependem não há nenhuma ligação entre eles. Deve-se observar algumas coleções que tentam promover uma reflexão lingüística sistematizada para o uso, seja através da gramática textual, voltada para os recursos coesivos e argumentativos, seja por reflexão sobre o funcionamento das formas lingüísticas na coesão dos textos, usando recursos expressivos na leitura, formas de discurso, atividades preparatórias para a produção do texto e dos exercícios gramaticais.

Segundo o texto da palestra, a autora destaca que os professores com curso de especialização na área de Letras têm bastante dificuldade em trabalhar às práticas de reflexões lingüísticas, pois possuem dificuldades na autonomia e consistência da reflexão, alguns optam em seguir os livros didáticos orientados pela gramática normativa descrita e prescrita, mantendo um ensino formal, não atendendo às exigências do PCN, para que se desenvolvam as habilidades discursivas dos alunos. Não obstante, o conhecimento lingüístico não é adquirido ouvindo teorias, mas na relação ativa com o objeto de conhecimento, que é capaz de reconstruir e explicar por si só. A posição da autora, é que o ensino deveria ser de forma planejada, consciente, sistemática, definindo o quê, por quê, para quê querem ensinar, para depois criar atividades e estratégias didáticas para que se cumpram os seus objetivos. Para a autora, a gramática que deveria ser construída nos textos é a gramática que se ouve e se fala. Neste caso, o professor deveria trabalhar a reflexão gramatical a serviço do uso textual e discursivo da língua, analisando as frases nos textos, constando e explicando os recursos lingüísticos que as interligam entre si, com elementos fundamentados nos textos. Mas deve-se focalizar em sala de aula um funcionamento textual e discursivo do sistema verbal de tempo, modo, aspectos e etc., ao invés de lidar exclusivamente com a memorização de paradigmas regulares e formais irregulares, constitui uma das possibilidades de desenvolver as análises da língua de maneira que sejam integradas nas dimensões gramaticais e textuais. É preciso haver um compromisso institucional permanente a formação contínua dos professores, além de outros fatores que irão ser de grande importância para o trabalho pedagógico. Os professores devem receber incentivos para que estejam sempre buscando novos conhecimentos e condições de fazer um ambiente propício ao aprendizado dos alunos.

Após refletir sobre o texto de Costa Val, conclui-se que a gramática da língua oral é a gramática da própria natureza humana, já se nasce com essa potencialidade de ouvir e falar. O ser humano já nasce com esta proteção com esta possibilidade de se comunicar então a gramática não precisa do nosso entendimento; ser formalizado; ser escrita. Os traços da oralidade vão respeitar os quadrantes do país. Não respeitar as regiões, os costumes familiares, os costumes da cidade. Essa é a gramática viva porque é a gramática do ser humano. A gramática escrita nada mais é que a observação daquilo que há de comum em todos os quadrantes do país. É uma tentativa social de ter um controle, de ter um nivelamento, uma padronização. Por isso, que se leva essa outra forma para dentro da escola. Já ensinar gramática no texto é uma necessidade para se avançar na construção do sentido, da visão crítica, da formação do ser-cidadão. É preciso saber o teor do texto e não somente analisar sua estrutura frasal.


Ensinar se resume em: gramática só do texto e no texto. A autora frisa que o ensino de língua portuguesa deve ser encaminhado para a gramática do texto, no texto, bem como encerra dando exemplos[6] e fazendo propostas[7].



Ensinar língua portuguesa é aprender a arte mais sublime do ser humano, que é a sua capacidade de comunicar-se através de palavras e da escrita, os seus sentimentos, as suas emoções e os seus pensamentos. É, conseguir traduzir em palavras e em escrita aquilo que se pensa, é fazer com que o seu interlocutor possa entender e vice-versa. É o ato compreender a mesma mensagem através do sentido das palavras utilizadas quer seja na língua falada ou escrita. É o dar e atribuir sentido através da entonação, da pausa, da ênfase que na modalidade escrita é representada e/ou codificada através dos sinais. Esse é o grande ensinamento e a grande aprendizagem. Então, mais que ensinar é aprender, articular; exercitar essa capacidade que o ser humano possui, e, a língua portuguesa é o nosso signo e o nosso idioma.





NOTAS BIBLIOGRÁFICAS



COSTA VAL. Maria da Graça. A gramática do texto, no texto. Ciclo de Palestra sobre ensino de gramática. POSLIN-FALE/UFMG. 25/08/2000.


--------------------------------------------------------------------------------

[1] Resenha da Palestra de Maria da Graça Costa Val, proferida em 25/08/2000, no Ciclo de Palestras sobre Ensino de Gramática, promovido pelo POSLIN-FALE/UFMG)
[2] Reflexões da variação lingüística que vai da retórica para a gramática; do discurso para a frase; da língua falada para a língua escrita,. E, é só mais adiante, em estágios mais avançados de modelos formais como o estruturalismo e o gerativismo.



[3] Propõe um trabalho voltado para o uso da língua e para a percepção das possibilidades de efeitos de sentidos desencadeadas por diferentes arranjos dos recursos expressivos.



[4] A proposta na prática de ensino que a reflexão epilingüística tenha prioridade sobre a metalingüística.



[5] A escola deveria se empenhar em conhecer e respeitar e desenvolver a gramática internalizada dos alunos; ensinar elementos da gramática normativa; promover reflexões epilingüísticas e metalingüísticas que esclareçam e contribuam para o uso adequado da língua em diferentes circunstancias.

[6] Sintaxe: Sintaxe “boa” – “vai se construindo, sem planejamento prévio, à medida que o texto é composto...” – situação coloquial. Sintaxe “complicada”- presença de períodos longos, termos e orações intercalados que distanciam predicado e sujeito, pronome e antecedente – imprensa, ciência, textos didáticos, enciclopédias, conferencias, debates, pronunciamentos oficiais, etc. – situação formal.



[7] “O objetivo não é ensinar análise sintática, portanto, não há necessidade de privilegiar termos e conceitos.”

· Permitir ao aluno, através da prática, a familiaridade com os diversos gêneros textuais que circulam socialmente nas diferentes situações de uso da linguagem;

· Cuidar da sintaxe dos textos lidos, ouvidos e produzidos pelos alunos;

· Promover a reflexão epilingüística sobre períodos nas atividades de leitura;

· Criar condições para que o aluno perceba as relações entre os termos na estrutura interna dos enunciados dos textos;

· Propor exercícios de reformulação de períodos ou seqüências de períodos;

· Aliar a reflexão gramatical à leitura e à produção de textos.


Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui