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Cordel-->CARTA DE SATANÁS A MANEZINHO -- 04/10/2003 - 21:53 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. CARTA DE SATANÁS A MANEZINHO

Numa noite em que dormi,
Depois de rezar com zelo,
Pedindo a Deus que ouvisse
Uma vez mais meu apelo,
Talvez porque não fui justo,
Sonhei e tive um susto,
Foi mesmo um pesadelo.

Montava eu um camelo
E vagava no deserto,
Sob o sol mais escaldante,
Por um caminho incerto,
Mas como era um fiel,
Acreditava que o céu
Estava sempre mais perto.

Eu que tinha como certo
O meu destino eterno,
Via no dia o verão
E na noite o inverno,
Mas sem nunca o querer,
Logo no entardecer
Eu fui parar no inferno.

O Diabo estava de terno
Com gravata e tudo o mais,
A mesa estava posta,
Rodeada de marginais
E Satã apontou-me o dedo
E disse [eu tive medo]:
Já que vieste, tu vais.

Não voltes aqui jamais,
Pois és “persona non grata”,
És um seguidor de Cristo,
Não me venhas com bravata,
Uma carta vais levar
Falta só eu assinar,
Oh, que sorte mais ingrata!

Se tens índole pacata,
Eu de ti não tenho dó,
Podia até peneirar
Manezinho como pó,
Mas se és amigo dele,
Leva esta carta a ele,
Nada acrescentes, é só.

Manezinho de Icó,
Envio-lhe esta missiva,
Através de um portador,
Com decisão conclusiva,
Embora o pedido seu
Bastante me comoveu,
A resposta é negativa.

Não atendo a rogativa
Que outro dia me fez,
Sei que respondo atrasado,
Porém explico de vez:
Eu recebi seu recado
Todo sujo e amassado
Já bem no final do mês.

Pedi para dois ou três,
Inclusive a Lampião,
Que lhe levasse uma carta
Escrita por minha mão,
Com carruagem preparada
Pra sair de madrugada,
Mas todos disseram não.

Não houve jeito, então,
De eu lhe comunicar,
Ficou a carta na mesa,
Esperando alguém chegar
E que tivesse coragem
De fazer essa viagem
Para a resposta lhe dar.

Pensei até em contratar
Uma bela pitonissa,
Mas como você já sabe,
Às vezes tenho preguiça,
Então eis que de repente
Chega um cabra sorridente,
Que dormiu durante a missa.

Lembrei-me então da premissa:
Quem quer faz logo a hora,
Não espera acontecer
Aquilo que já demora;
Ao cara eu disse num grito:
Mas será o Benedito?
Suma daqui, vá embora!

Eu não o esperava agora,
Mas já que aqui você veio,
Vai ajudar-me num caso
E não vou lhe fazer feio,
Pois no dia em que morrer
Irá lá no céu viver,
Cristo afirma e eu creio.

Mas deixemos de rodeio,
Vou direto ao assunto,
Estão querendo mandar
Para o inferno um defunto,
Só que eu estou furibundo,
Outro traste lá do mundo,
Não quero comigo junto.

Vocês estão em conjunto,
Querendo o bem que neguei,
Mas na Usina de Letras,
Até onde me inteirei,
Existem muitos malandros,
Porém naqueles meandros,
Só um desrespeita a lei.

Isso é o que dizem, bem sei,
Só que o homem se esquece
Que no inferno há justiça
Para aquele que padece,
Não posso botar aqui
Quem pecou mais do que eu vi,
Se encobriu com sua prece.

Seria bom que viesse
O Cristo, filho de Deus,
Só que Ele se recusa
A julgar homens ateus,
Dizendo que esses tais
Somente pelos seus ais
Reconhecem erros seus.

Aqui, com arcanos meus,
Eu não encontro saída
Para resolver um caso
Que está no curso da vida,
Por isso, caro Mané,
Tenha um pouco mais de fé
E não esperança perdida.

A sua alma já é tida
Como salva por Jesus,
Pois fez muita caridade
Para os pacientes do SUS,
Realizou obras de amor,
No tempo em que foi pastor,
Convertendo treva em luz.

Isso tudo me induz
A dizer diante de Alá:
Quem você recomendou
Não quero aqui e sim lá,
Que ele viva sua vida,
Curando a própria ferida
E o caso não é pra já.

Que não venha para cá,
Pois sem ele eu bem me viro,
Mas se acaso vier,
Do inferno eu me retiro,
Depois que ele morrer,
Se a terra não o comer,
Que se transforme em vampiro.

Fale com o Waldomiro,
Resolvam entre vocês,
Não tenho nada com isso,
Digo-lhe mais uma vez:
Estou muito endiabrado,
Pois o inferno está lotado,
Já chega de português.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA


















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