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Ensaios-->Estrela que o vento soprou (a caminho do prelo) -- 12/03/2021 - 21:34 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

APRESENTAÇÃO



 

Permita o bardo lusitano que o espírito leia,

com olhos humanos, mais do que vê escrito.
 

“Estrela que o vento soprou” nasceu da compilação de textos publicados em sites de literatura, a partir do ano 2008.
 

Concebida em vários e distintos espaços geográficos, a obra passeia além da prosa, também na prosa poética, e no poema em prosa. Nela, partículas da realidade surgem diluídas nas cenas e cenários que se dão no campo, na cidade, numa ilha.
 

E, embora a zona rural não seja o único palco de ação, muitos episódios se dão na fazenda Campo Grande em Juramento, no tempo em que a cidade acompanhava a trajetória de um próspero fazendeiro, mais tarde, brutalmente assassinado.
 

Consternada com a morte do marido, Corina mudou–se para o Rio de Janeiro e foi morar na Tijuca, que lhe remonta lembranças de Campo Grande. Lá, a viúva fala da saudosa memória dos tempos de outrora na fazenda, e sua neta Ravenala conta o que ouviu da avó, trazendo a lume episódios que vão da captura de uma índia, à caçada de onça; procissão, leilões; hábitos e costumes da família interiorana brasileira.
 

No princípio, as primeiras páginas mais pareciam braçadas a esmo. Pouca coisa. Nada mais que parágrafos desordenados e um emaranhado de ideias que necessitavam das mãos habilidosas de um artesão para colocar a casa em ordem, ou ordem na casa. E mesmo não sendo biográfica, muito menos autobiográfica, presta homenagem também ao brasileiro Zé Coco do Riachão, mestre da música caipira, intitulado como “O Beethoven do Sertão”.
 

Temeu-se, no entanto, atropelar o aspecto temporal, ao tratar das modas de viola em Campo Grande, por achar que ainda não era hora de apresentar “Guaiano em Oitava”, porque o compositor só gravara aquela música no final dos anos oitenta. Tunico Oliveira assegurou, no entanto, que muito antes de gravar, Zé Coco tocava seu guaiano por onde passava construindo cancelas e carros de boi, por encomenda de fazendeiros.
 

O processo de construção do livro durou treze anos.

No decurso desse tempo, houve momentos de muita batalha contra forças invisíveis, que queriam destruir a obra. Duas vezes, antes de ser publicada na forma impressa em papel, ela foi apagada.

Recuperada mais tarde, com o prejuízo de algumas páginas, cuidou-se para que novos acidentes não ocorressem, e o arquivo passou a ser enviado para endereços eletrônicos.
 

Mais de uma vez destruída, sua recuperação se deu também, garimpando fragmentos de capítulos postados em sites de literatura, ou publicados em diversas coletâneas ao longo do tempo de sua produção.
 

A última vez em que o livro foi apagado, aconteceu pela perda total do Disco Rígido (HD). Este incidente gerou grande prejuízo de conteúdo, pois o mais recente arquivo enviado por e–mail, não continha a atualização das duas últimas semanas trabalhadas.
 

Assim nasce uma estrela.

A intenção era apenas narrar experiências da infância e adolescência da neta de um camponês, e incluir, por acréscimo, a história de seu avô Batista Generoso, um fazendeiro chegado em Minas Gerais, por volta do ano de 1917, corrido da seca de l5 no Nordeste.
 

Mas...
Enquanto sob o açoite  das flechas de cupido a obra beirava as portas da biografia,  fatos novos transcendem as barreiras da temporalidade,  e abordam momentos vividos no além-túmulo.

Então,  como nos contos de fada, a neta do fazendeiro contou.
 
 
 


 

Capítulo 1
 

Era uma vez um barquinho de nada

Viajando à deriva no mar da vida
 

Este barquinho és tu e sou eu.

Somos plural e singular um ser coletivo, e ao mesmo tempo, individual e único para Deus. Somos astros que em sua trajetória, deixam rastros de luz, ou apenas pegadas, logo varridas pelo vento.

Afinal, quem somos?
 

Esta indagação ecoa há milênios de anos.

Para o pensador, cujo nome não aparece nas linhas de seus escritos, somos o tudo e o nada, o todo e a parte. A vida e a arte, nas cores de uma tela; uma janela escancarada para o mundo, com os olhos voltados para o céu.

Somos uma grande colcha de retalhos, formada do tecido celular de muitas gerações. Temos esse pano velho plasmado nas entranhas: estampas e cores desbotadas do passado, presentes nesta colcha de retalhos que somos.
 

Somos um mistério.

Não um ser misterioso, mas um mistério a ser desvendado; uma vela acesa na tempestade, ou um barquinho à deriva em alto-mar. No todo ou na parte, viajamos no barquinho da vida, sem saber aonde chegar.

Foi assim que Ravenala começou a contar a história dela, que é também da avó Corina Flor de Lis Bomtempo, do avô Batista Generoso, do pai de Ravenala, do meu pai e do teu. Quem nunca se viu assim, revestido de memórias? Quantas histórias para contar!...
 

****

Adalberto Lima - fragmentos de "Estrela que o vento soprou."

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