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Ensaios-->Estrela que o vento soprou, veste-se de noiva para as núpci -- 09/12/2021 - 22:56 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

APRESENTAÇÃO

 

 

Permita o bardo lusitano que o espírito leia,

com olhos humanos, mais do que vê escrito.

 

Estrela que o vento soprou nasceu da compilação de textos publicados em sites de literatura, a partir do ano 2008. Neles, partículas da realidade surgem diluídas nas cenas e cenários que se dão no campo, na cidade, e numa ilha.  E, embora a zona rural não seja o único palco, muitos episódios se dão na Fazenda Campo Grande em Juramento, quando aquele distrito de Montes Claros, acompanhava a trajetória de um próspero fazendeiro, mais tarde, brutalmente assassinado.

Era  Campo Grande a fazenda de Corina Flor de Lis Bomtempo.

Ali ela viveu, além do mundo real,  fantasias colossais, como se a vida fosse um poço, de onde se retira todo dia encanto e beleza.

Por causa dessas coisas, Campo Grande ficou guardada nos anéis da memória.  Mas, nem tudo que ela viu, viveu e aprendeu, veio das cercanias da  fazenda, ou  dos almanaques que lia. Aprendera muito  com o marido.

Ele tinha uma cultura regional gigantesca, muita sabedoria popular,  e um baú de estórias  com matiz e  cores do Brasil.

Consternada com a morte do marido, Corina mudou–se para o Rio de Janeiro e foi morar na Tijuca, que lhe remonta lembranças de Campo Grande. Lá, a viúva fala, com saudade, e traz a lume realidades vividas, desde a  captura de uma índia, à caçada de onça; procissão, leilões; hábitos e outros costumes da família interiorana  de outrora. A neta do fazendeiro ouvia atenta as histórias de seu avô Generoso,  guardava todas essas coisas no coração, e escreveu tudo, como se o coração fosse um baú de  recordações.

No princípio, as primeiras páginas mais pareciam braçadas a esmo. Pouca coisa. Nada mais que parágrafos desordenados e um emaranhado de ideias que necessitavam das mãos habilidosas de um artesão, para colocar a casa em ordem, ou ordem na casa. E, mesmo não sendo biográfica, a obra presta homenagem, não só ao Coronel Generoso, mas por ele, e com ele,  a Zé Coco  e a muitos outros filhos deste rincão brasileiro, tão agraciado  pela natureza.

O livro aconteceu no decurso de uma década e meia, e foi escrito a duas mãos: Corina e sua neta Ravenala. Mais tarde, contou também com a valiosa ajuda de um colega do Marista por quem se apaixonara.

Durante  o fazimento, Ravenala temeu atropelar o aspecto temporal, ao tratar das modas de viola em Campo Grande, por achar que ainda não era hora de apresentar “Guaiano em Oitava”, porque o compositor só gravara aquela música no final dos anos oitenta. Corina assegurou, no entanto, que muito antes de gravar, Zé Coco do Riachão tocava seu guaiano por onde passava construindo cancelas e carros de boi, por encomenda de fazendeiros.

No primeiro momento, a intenção de Ravenala era narrar experiências de sua infância  e adolescência no Rio de Janeiro, e incluir, por acréscimo, a história de seu avô Batista Generoso, um fazendeiro chegado em Minas Gerais, por volta do ano de 1917, corrido da seca.

Mas...

Enquanto sob o açoite  das flechas de cupido a obra beirava as portas do romance, fatos novos transcenderam as barreiras da temporalidade, e conduziram personagens ao fantástico  mundo do  além-túmulo.

 

Foi  como nos contos de fada...

 

 

 

Capítulo 1

 

Era uma vez um barquinho de nada

Viajando à deriva no mar da vida

 

 

Este barquinho  és tu e sou eu. 

Somos um ser individual e ao mesmo tempo, coletivo. Astros que em sua trajetória, deixam rastros de luz, ou apenas poeira suspensa no ar.

 Somos uma grande colcha de retalhos, formada do tecido celular de muitas gerações. Temos esse pano velho plasmado nas entranhas: estampas e cores desbotadas do passado, presentes nesta colcha de retalhos que somos.

 Foi assim que a neta do fazendeiro começou a contar a história dela, que é também da avó Corina Flor de Lis Bomtempo, do avô Batista Generoso, do pai de Ravenala, do meu pai e do teu.

Quem nunca se viu assim, revestido de mistérios?

Quantas histórias para contar! Quantas memórias guardadas nas dobras do tempo!

Ravenala tinha sete anos, e se lembrava de quase tudo que sua avó contava. Passava a mão na cabeça da netinha e dizia:

“Durma, Princesa, durma...”

– Não consigo dormir! Vejo monstros diante de meus olhos.

– Vou retirar os monstros dos teus olhos. Pode dormir agora. Eles já se foram!’ 

Dormia, não sem antes reclamar:

“Eles estão voltando, vovó! Os monstros estão voltando e não me deixam dormir. Conte uma estória!”

(...)

Adalberto Lima

Enviado por Adalberto Lima em 09/12/2021

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