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Cartas-->Carta Abstrata de um Suicida ao Mundo -- 01/12/2002 - 16:32 (A. AAA) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Eu estou cansado de procurar nas pessoas o que sempre não acho Todos negam, todos tem medo. Eu não quero mais, eu estou exausto, já não tenho mais forças para lutar, não porque eu seja fraco, mais por não ter mais condições de sofrer. Caminho para um abismo, sozinho, como vim ao mundo, como sempre estive, como um dia morrerei. Sozinho. O caminho é fácil. Todos o temem. É escuro, tem arvores mortas no caminho, e folhas secas no chão. Vejo algumas pegadas fundas. Talvez de alguém que caminhou por aqui desesperado, pisando forte. Chego e sento na beira, encolho-me, com raiva de tudo, com vontade de me atirar, mas espero. Nada faz sentido, se eu me jogar, ou se eu esperar o sol nascer nesta escuridão. Lá embaixo é tão silencioso. Parece ter a paz para minha alma. O horizonte é triste. Cinza. Às vezes, vejo um relâmpago ao longe. Quero ficar assim para sempre, quero virar uma pedra. Uma grande pedra. Eu preciso de ajuda. Por favor, alguém que tenha esta dor, que queira compartilhar. Alguém que queira junto de mim jogar-se no abismo, ou esperar o sol nascer. Esta começando a chover forte... Eu adoro a chuva. Estou molhando, as gotas escorrem no meu rosto, junto com minhas lágrimas. Agora tudo aqui esta enlameado inclusive eu. Inspiro. Expiro o cheiro da chuva. Quando será que isto tudo vai acabar? Ergo – me. O sol não vai aparecer mesmo. A chuva lava minha alma encardida, com nodoas que não saem, uma alma maltratada, ensangüentada, que fez sua parte mas não recebeu nada em troca. Quem fez isto com minha alma, foi eu. Tolo. Por acreditar nas pessoas, que elas fossem confiáveis, que se eu fizesse minha parte tudo estaria bem, tudo daria certo. Tolo, idiota, otário. Fui traído. O mundo maltrata as pessoas que tratam mais do que merecem certas pessoas. Pisam, cospem no prato que comeram. Depois se arrependem, pedem perdão, voltam, e tornam a repetir a mesma coisa, num círculo vicioso. Sem inicio, sem meio, sem fim. Sempre fiz minha parte, ninguém nunca me recompensou. Ninguém nunca me perdoou. Nenhuma palavra de encorajamento, para que cada vez eu fizesse sempre melhor. Eu quero viver, mas não neste mundo. Qualquer coisa é melhor do que aqui. Razões. Evidencias. Desespero. Medo. Eu vou partir, quem se importa? Quando o próximo relâmpago iluminar minha face, vou procurar o silencio do abismo. O coração tem razões, que a própria razão desconhece. Que o abismo cale a agonia da minha alma, que ele não me deixe nunca mais falar por mim, nem por ninguém. Que ele apague a teoria da reciprocidade de mim. Que tudo que fizemos, recebemos. Será que eu sou egoísta? Se dou quero de volta, mas nem todos fazem isto. Egoístas são os que nem dão, só querem. Sugam até a ultima gota, e depois jogam a carcaça no chão. Calo-me. Minha última lágrima escorre densamente e mistura-se pela última vez com a água da chuva. Olho para o céu cinza. Um relâmpago ilumina meu rosto.


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