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Poesias-->A voz do poema -- 13/05/2003 - 10:02 (joão manuel vilela rasteiro) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Costumavam falar de ti, neste lado do

universo, onde ainda existe o mar, neste

preciso tempo, neste preciso lugar.



Hoje as cicatrizes já não reunem

a luz, a aurora e o caos, de quem ama

e acredita que não morre o sol, de que sou

o reflexo, a grafia áspera do lugar.

Mesmo que digam que a areia esconde

as pegadas das tuas sandálias pretas, os

livros estão secos, os corpos estão secos e

os sonhos vertebrados. Um traço mínimo nas

coxas da imortalidade, sobre as águas de

onde brotam as pedras inteiras.



É a água que acende a memória do corpo e

aviva entre boca e boca o marfim mais breve,

entre rochas, sexos, corpos, luz, orvalho e

o ar em volta das rugas da tua imagem, é

a água generosa, ignorada e aberta

à ironia atravessada do todo.



E o corpo cada vez mais corpo.

Dar às águas o eco da terra e à terra a voz do poema.



in,Revista "Il Convivio" nº14, Castiglione di Sicilia, Itália - 2003

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