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Contos-->Uma Noite Diferente -- 10/02/2003 - 23:52 (Andre Rocha) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
    Chegou em casa do mesmo modo que fazia todos os dias. Abriu a porta e já deixou a maleta no chão, ali mesmo no cantinho. Enquanto caminhava, desabotoou o paletó e o largou no sofá. Entrando na cozinha, tirou a gravata e deixou-a sobre a mesa, desabotoando o colarinho.

    Abriu então a geladeira, já sentando, e tirou uma garrafa de cerveja, que começou a beber direto do bico. Afinal, morava sozinho, podia se dar esses luxos. Entre um gole e outro, percebeu que havia algo diferente naquela cozinha. Não parecia mais a mesma em que ele havia tomado o seu café, na manha daquele dia.

    Tentou, em vão, descobrir o que estaria causando aquela sensação. Seria o fogão? Não, ele não tinha fogão, nunca gostou de cozinhar. Insetos? Não... Aquelas baratas já estavam ali quando ele saiu -aliás, elas já tinham até nomes carinhosos. Aquela inquietação foi tomando forma dentro do nosso personagem (sem nome, a titulo de economia), que já estava irritado com aquilo tudo.

    Provavelmente era o stress do trabalho,pensou. É óbvio que não tem nada de diferente nesta cozinha. Onde já se viu? Alguém entraria em seu apartamento e faria uma mudança apenas para deixa-lo confuso?
Decidiu tomar um banho para dar uma acalmada nos ânimos. Mas... Não é que o banheiro estava estranho? Os cremes, xampus, sabonetes eram os mesmos, mas alguma coisa estava diferente do banheiro em que ele se barbeou bem cedinho, antes mesmo do sol aparecer no horizonte.

    Estaria ficando louco? Deixou o banho para lá e foi direto para o quarto. Seu objetivo era deitar na cama e ali ficar, até o amanhecer. Decidira, também, que iria entrar de olhos fechados, para não correr o risco de achar o quarto diferente. Como em seu quarto não havia muita coisa além da cama, consegui facilmente cumprir o seu objetivo.

    Depois de algum tempo deitado, conseguiu finalmente compreender o que havia mudado: nada. Isso mesmo, nada mudava em sua vida, nunca. O seu cotidiano era tão medíocre que nunca sequer tinha reparado na sua própria casa. Morava ali ha treze anos e nunca havia mandado arrumar o buraco na parede que existia quando ele se mudou. O seu emprego, era o mesmo esse tempo todo, nem ele sabia dizer exatamente qual era a sua função, de tanto que a odiava.

    Namoradas, esposa, amigos, isso ele nunca teve. Um livro para ler, uma musica para ouvir, muito menos. Não possuía qualquer coisa que pudesse enriquecer sua vida. Rogério - enfim, vamos dar um nome ao pobre coitado, pelo menos isso ele merece - percebeu ainda que ele não era o único naquela situação. Compreendeu, no entanto, que ainda era possível mudar de vida, que a rotina o havia transformado em um ser alienado e insensível. Decidiu que a partir daquele dia, daria um basta e mudaria a sua vida.

    E os outros? Quando irão perceber? E você?
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