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cronicas-->Gerente do Banco -- 17/11/2002 - 21:15 (André Guacarari) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Gerente do Banco


Lá estava eu sentado naquela cadeira dura, esperando as 6 horas da tarde para poder ir embora para casa. Não era nada fácil ficar sentado, informando onde fulano morava, onde beltrano estava, se sicrano saiu. O certo era que nesse dia como todos os outros, eu me imaginava cheio de grana, muito dinheiro, casa, carro importado, mulher bonita e charuto cubano em frente a praia. Mas sonho de pobre dura pouco, até entrar no ónibus lotado, viajar uma hora e meia em pé , mal dando para respirar. Neste dia decide relaxar um pouco. Fui até a praça próxima ao prédio onde trabalhava. A praça estava vazia, sentei em um banco e acendi meu cigarro picado. Eu havia achado estranho que um senhor, trajado a linho preto, com uma maleta parecia me seguir. Que bobagem, o que alguém queria com um pobre semi-analfabeto. Enquanto a fumaça subia para o céu, eu comecei a imaginar, eu dentro de um avião particular, igual daqueles políticos, cheio de bebida, cigarro, mulher...
- Você é senhor José Firmino?
- Sou sim senhor. Por que?
- O senhor tá sendo multado.
- Mas por que meu senhor?
- Você sonha demais.
- E qual é o problema?
- Não discuta, se não lhe aplico multa por desacato a autoridade.
- Perdão meu senhor.
Ele começou a escrever em um bloco, achei estranho, multa por causa de sonho? Nunca havia visto falar, mas também com está novas "remendas económicas" , cada dia surge mais imposto, mais taxa para pagar e meu orçamento fica cada vez mais curto.
- Aqui está! Terá que pagar no banco do povo amanhã, caso contrario vai dobrar a cada dia.
- Sim senhor amanhã serei o primeiro da fila.
O senhor saiu com sua maleta, eu dei a ultima tragada no cigarro e resolvi ir para ponto de ónibus, sem pensar em nada, pois sei lá se aquele maluco me multaria de novo. Olhei a multa e vi que o preço não era tão caro, amanhã mesmo antes do emprego, pagaria a multa.
4:30 da manhã, o despertador toca. Levanto as pressa pois oito horas devia estar no emprego., mais o banco só abra as oito, mas se for mais cedo serei o primeiro e chegarei só um pouco atrasado. Peguei o primeiro ónibus que saia um pouco depois das 5. O banco era longe e eu teria que pegar dois ónibus . Desço na praça dos Trabalhadores e pego outro ónibus rumo ao Banco do Povo. Achei estranho mas o ónibus estava cheio demais e o pior era que todo mundo parecia que ia para o banco. Chegando no ponto em frente o banco quase fui pisoteado. Aquela velha frase: "os últimos serão os primeiros" não me soava bem. O certo era que havia uma fila quilométrica na porta do banco. Pensei que devia ser distribuição de cesta básica, mas não era começo de mês ainda. Descobri que todos que tavam na fila eram porque sonhavam demais também.
Eu estava ferrado, já tava ali a 3 horas. Chega um cliente grande, loiro que falava engraçado e entra no Banco. Já na parte de dentro ele abre o malote cheio de dólares e compra o Banco do Povo. O gerente oferece um empréstimo para tal cliente e ambos entra discutindo a proposta em sua sala. Ao chega a minha vez e pago no caixa o meu imposto e ao sair o gerente anuncia a todos ali que o Banco do Povo foi vendido e que a parti de amanhã estará funcionando em nova administração. Coisa do governo que ultimamente tinha anunciado até Amazónia na bolsa de valores de Nova Iorque, 3 vezes no cheque sem juro. O povo que ameaço protestar se acalmou quando prometeram fazer uma Disneylàndia no lugar de tanto mato.
Algumas semanas depois passando por aquela área, vi o velho banco que agora se chamava : Bank the people. Logo embaixo em letras menores: God Bless American, junto com uma bandeira que tremulava naquela brisa. Algum tempo vi muitas jovens usar aquela mesma bandeira no peito. Listra vermelhas e brancas, um quadrado azul com estrelas brancas. Achei estranho, no estacionamento só havia carro importado, até aparecia que todos os empregados eram gringos. Mais adiante observei no sinaleiro um certo senhor trajado em linho velho e vendendo chaveiro no sinaleiro. Não pode ser. Ë o velho. O velho gerente do banco do povo.
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