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Cordel-->O PIXOTE E SEU CAVALO -- 19/06/2004 - 01:53 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. O PIXOTE E SEU CAVALO

Quase criança eu era
Quando vi um peão
Esporeando meu potrinho
Nas curvas do estradão;
Disse-me um companheiro
Que o cavalo era inteiro
E estava na domação.

Depois vinha a castração
Para o potro já domado,
Ele seria mansinho
E muito bem ensinado,
Troteando com encanto,
Levaria a todo canto
A amada e o amado.

Eu fiquei enciumado
Ao escutar este caso,
Para mim tudo aquilo
Era um tremendo arraso,
Porque eu acreditava
Que o que ia voltava
Sem que houvesse atraso.

Muito bem antes do prazo
Retornou cavalo e peão,
Trazendo este na testa
A poeira do estradão
E o belo potro trazia
Em seu corpo a estria
Marcada pelo esporão.

De manhã cedo, então,
Eu avistei a mangueira
Toda apinhada de gente,
Maioria cabroeira,
Só doze anos eu tinha,
Mas descobri que vinha
Muita gente traiçoeira.

Minha mãe era matreira
E amásia do peão,
Que ia castrar o potro
Sem eu dar a permissão;
Pra sair dessa sinuca
Fui buscar uma bazuca
Nos fundos do barracão.

Encontrei o espingardão,
Com bucha e chumbo grosso,
Saí com ele nas costas,
Arqueado por ser bem moço,
Mirei o cabra traiçoeiro,
O estrondo foi certeiro,
Causou o maior destroço.

Houve grande alvoroço,
Dispersou-se a multidão,
O carrasco estava morto
Estirado ali no chão,
O potro preto corria,
Eu gritava de alegria
Com o trabuco na mão.

Corri para o galpão
E abracei-me a um arreio,
De alegria eu chorava
Porque não fizera feio,
Naquilo ouvi um tropel,
Saindo vi o corcel,
Que agradecer-me veio.

O potro estava sem freio,
Empinou-se e relinchou,
Correu, troteando nos prados,
Deu meia volta e voltou,
Suado e sugismundo,
Para percorrer o mundo,
Bufando me convidou.

Só que minha mãe chegou
E disse: - Meu bom menino,
Por que matou seu padrasto?
Triste será seu destino,
Não encontrará a paz,
Pois fez o que não se faz,
Sendo ainda pequenino.

Avistei o sol a pino
E meu potro agitado,
Olhei meu padrasto exangue
Ali na grama estirado,
Todo o pessoal indo embora,
Deixando a viúva que chora
A morte do seu finado.

Logo veio o delegado
Pra fazer a inquirição,
Soube-se que uma morte
Houve naquela região;
Um crime foi perpetrado
E morreu assassinado
Um honrado cidadão.

Aproximou-se o escrivão,
Seguido por um soldado,
Este segurou meu braço
E empurrou-me para o lado,
Bradando: - Sente-se aí,
Nós só viemos aqui
Pra você ser autuado.

Falei que tinha matado
O padrasto que eu tinha
Porque ele maltratava
A minha boa mãezinha;
Só que o potro era meu,
Pois meu padrinho me deu
E eu não queria rinha.

Minha sorte foi mesquinha,
Mas vida boa, quem tem?
É só isso que pergunto,
Sem que a resposta me vem;
Num orfanato internado,
Por matar um desgraçado,
Hoje estou sem ser ninguém.

Sofro ao pensar que alguém,
Passeia com meu cavalo,
Pois sei que outro peão
Um dia veio castrá-lo,
Tão sozinho estou eu,
Sabendo que não valeu
Garnisé cantar de galo.

Só uma coisa eu falo:
A razão é do mais forte,
Nesta vida sempre vence
Quem engana sua sorte;
Sabe-se que em toda luta,
Não basta a força bruta,
Para desafiar a morte.

Quem não tiver um consorte,
Cairá na esparrela,
Força do braço não basta
Para ele ou para ela,
Já que se uma mãezinha
Descuidar-se da cozinha,
O filho morre sem vela.

A boa mãe é aquela
Que sempre vem e não vai,
Mas se acaso ela se for,
Talvez restará o pai;
Hoje meu coração quer
Que venha outra mulher
Para curar meu ai, ai.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benedito.costa@previdencia.gov.br






































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