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Cordel-->AOS APRENDIZES DO CORDEL -- 22/07/2004 - 15:02 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. ...sem o rigor da forma e o respeito às leis da criação literária, qualquer produção, por mais revolucionária que seja de intenções, não terá o direito de existir como obra de arte.
(Aníbal M. Machado)

A INICIAÇÃO NO CORDEL

Para ser um cordelista
É preciso obedecer
Regras que se recomendam
Na arte de escrever...
Um cordel metrificado
Até pode ser cantado
E é fácil de se ler.

Para quem quer aprender
Como se faz um cordel
Recomendo ler abaixo
As normas que o menestrel
Publicou para o aprendiz
Que almeja ser feliz,
Fazendo belo papel.

É uma torre de babel
O cordel de pé quebrado,
Sem ritmo e harmonia
Deixa o leitor enjoado;
Então com muito respeito
Vão as dicas em proveito
Do aprendiz interessado.

Espero ter ajudado
Neste gesto amistoso...
Como ensina José Dantas,
Cordelista caprichoso,
Faça o cordel cantando
Com belos versos rimando,
Que ficará harmonioso.

Benedito Generoso
Dá sua contribuição
Aos novatos nessa arte,
Que necessitam da mão
De alguém mais experiente,
Portanto sigam em frente,
Nunca encubram a visão.

Aproveitem a ocasião
E respeitem a poesia,
Rubenio Marcelo disse:
“Já vi tanta porcaria
Que chega até ser risível,
Não há coisa mais horrível
Que cordel sem harmonia”.

Aqui não faço porfia,
Tampouco provocação
Porque tão somente quero
Aos novatos dar a mão;
O cordel é arte nobre,
Não o deixemos tão pobre
Por falta de instrução.

É tão simples a lição
Que o bom mestre ensina,
Cordel tem o seu padrão
Como a regra determina;
Não é preciso ser douto,
Só não pode escrever solto,
Conforme a mão inclina.

O tesouro está na mina,
Só o acha quem procura,
Assim é com nossos dons
Também na literatura,
Aquele que os encontrar
Tem o dever de esmerar
E fazer boa figura.

O que tem valor perdura,
Nunca cai no esquecimento,
Cordel não é reportagem
Que vale só no momento;
Também presta para isto,
Mas o que aqui insisto
É num grandioso portento.

Na terra varre o vento
E leva o que não tem peso,
Sem derrubar um rochedo
Que fica firme e ileso,
Pois tudo que tem valor
É tal como uma flor:
Deixa o perfume reteso.

No mundo estamos prezo
Às regras do bom viver,
E o escritor mais ainda
Na arte de escrever,
Pois tesouro tem valor
Pra quem derrama suor
E o faz por merecer.

Não pretendo estender
Esta minha explanação
Porque perfeito não sou
E tenho limitação;
Vou então me despedir,
Mas o que vem a seguir,
Leiam com toda atenção.

As informações a seguir foram transcritas da página de Elpídio de Toledo,
que as publicou em 04/05/2003 com o título de Respostas (apud Piolho Chato), uma vez que foram extraídas da página de ANTÔNIO CALDAS DE BRITO, (PIOLHO-CHATO, PRIMEIRO E ÚNICO),hoje ausente da Usina. A introdução aos informes de Piolho, entretanto, é um cordel de Elpídio de Toledo, feito em quadras. Por achar de grande utilidade para os aprendizes, tomei a liberdade de transcrever aqui o que esses dois mestres na arte nos deixaram como legado.
Embora cada autor tenha seu estilo próprio, o que é normal na arte de escrever, há sempre algo válido universalmente falando. Alguém já disse: "A arte não tem dono nem patrono, pertence ao Universo que é de todos e ao mesmo tempo não é de ninguém". Bom proveito aos iniciantes de boa vontade.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benegcosta@yahoo.com.br

A Cesar o que é dele!

Embora impere verso,

faça o que quer com ele,

o cordel, o mais diverso.


No início eu fazia

somente rimas perfeitas .

Das regras eu não sabia,

mesmo assim tinha colheitas.


Até que um dia veio

um piolho pra cabeça,

piolho que dá esteio

pra que cuca se aqueça.


O único e primeiro,

que parece carrapato,

foi meu melhor conselheiro.

É o tal, Piolho-Chato.


Faça com ele consulta

pra melhor cordel fazer,

ele a ninguém insulta

quando se quer aprender.


Vá em Busca pra saber

como com ele falar.

Digite chato pra ver

se ele vai ajudar.


O cabra tem seu esp rito

voltado pra ensinar:

Antônio Caldas de Brito,

bom pra gente começar.


Dele resgatei um texto

que, abaixo, você vê.

Ele mostra o contexto

pra gente sempre reler.


TEXTO DO ANTÔNIO CALDAS DE BRITO, (PIOLHO-CHATO, PRIMEIRO E ÚNICO)

"Um pouco sobre a métrica

Métrica é a arte que ensina os elementos necessários à feitura de

versos medidos. A métrica é obtida pela contagem das sílabas e o

ritmo pelas cesuras. Você sabe metrificar e ritmar?

Uma regra

A última sílaba que se conta é a tônica da última palavra.

Ex.- 7 Sílabas:

Eu vi mi-nha mãe re-zan-do

Aos pés da Vir-gem Ma-ri-a

E-ra u-ma San-ta es-cu-tan-do

O que ou-tra San-ta di-zi-a

Outra regra

Quando uma palavra termina por vogal átona e a seguinte começa

por vogal ou ditongo, conta-se uma sílaba só. Diz-se que há

embebimento de uma sílaba na outra. Ex.:

Ou vin do a fa la ao ven to. São 7 sílabas.

Mais uma regra

Para atender à métrica, hiatos podem transformar-se em ditongos

(Sinérese) e ditongos transformar-se em hiatos (Diérese) Ex

Su-a-ve por Sua-ve (3 viram 2)

Sau-da-de por Sa-u-da-de (3 viram 4)


Cesuras

Não esqueça que o que dá ritmo à poesia são as cesuras. São as

sílabas tônicas que devem existir obrigatoriamente no interior dos

versos, quando tenham mais de sete sílabas.

Nos decassílabos Sáficos - 4ª - 8ª - 10ª - Ex.:

Ia Bar-sa-nul-fo pe-lo ver-de pra-do

Nos decassílabos Heróicos - 6ª - 10ª Ex

Tra-ba-lho nas no-ve-las nun-ca ve-jo

E.T. O verso Alexandrino legítimo tem cesuras na 6ª e 12ª. Se tiver

na 4ª, 8ª e 12ª. será um Dodecassílabo Quaternário. Não

necessariamente um Alexandrino.

Cordel

(A trova é uma quadra de sete sílabas que tem de ter rima no mínimo

da 2ª com a 4ª.linhas Prefe-rível será rimar também a 1ª com a 3ª.

Encontra-se em trovas mais antigas rimas da 1ª com a 4ª e da 2ª

com a 3ª. Há também 1ª com 2ª e 3ª com 4ª, além de outras.

embora o tipo enunciado no primeiro parágrafo seja o mais usado

atualmente.)

A trova, para ser bem feita, tem de ter um ACHADO. Achado é algo

diferente e que faça valer a pena ler a trova. Adelmar Tavares diz

"Nem sempre com quatro versos

setissílabos, a gente

consegue fazer a trova;

faz quatro versos, somente"


No livro "Como Fazer Trovas e Versos", de Eno Teodoro Wanke, ele

faz interessante observação a esse respeito.

Mostrar a trova de um autor e a correção por ou-tro trovador, dando-

lhe mais qualidade.

Acompanhemos o exemplo:

Trova de João Cândido, publicada no ano de 1894:

O filho do carpinteiro

foi um artista profundo

o que fez esse luzeiro ?

Fez um conserto no mundo.


Raul Pederneiras (1874-1973), lá pelos idos de 1916, depois de

tomar bons goles de vinho, saiu-se com esta:

O filho do carpinteiro

foi um artista profundo:

com três cravos e um madeiro

fez a redenção do mundo !

Com apenas 28 sílabas temos a história do Cristianismo, mostrando o

que ele significa. Outro exemplo:

Tua boca todos sabem

é tão pequena e singela

que eu não sei como é que cabem

tantos beijos dentro dela.


Na revisão, foi mudada.

Tua boca é tão pequena

tão pequena e tão singela

que não sei como é que cabem

tantos beijos dentro dela.


Rimou apenas a 2ª com a 4ª, mas ficou mais bonita e expressiva.

Nota - Comece o Cordel sempre com letra maiúscula. A partir do

segundo verso use letra minúscula, a menos que a pontuação indique

o início de nova frase. Nesse caso, use a maiúscula novamente.

Meus amigos;

Aprendam a cordelar fazendo poesia de qualidade."

(Piolho-Chato, primeiro e único.)




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