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Poesias-->Um livro a flanar... -- 14/11/2003 - 02:19 (Adriana Luz) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Um livro a flanar...



Era apenas uma criança comum, nem bonita nem feia, nem rica nem pobre, nem alta nem baixa... Cabelos e olhos castanhos... uma criança comum... família comum...



Mas não igual à maioria... Nem ela, nem a família... Pois naquela casa havia mãe, avô, tio, irmão, livros e tia... E pai não havia... Não como os que a menina sabia... O pai era o avô... Que a ela e ao irmão como filhos criou...



Uma criança que brinquedos incomuns receber não costumava... Por isso, seus próprios brinquedos saídos de páginas brancas ou amarelas inventava, criava, imaginava, e para as amigas – que somente para ela existiam – mostrava... E às companheiras ensinava... Também a criar, imaginar, inventar, fazer acontecer outras histórias, outros caminhos...



As tias, todas mestras, com seus livros instruíam... E as crianças sonhavam que a eles possuíam... História, Ciências, Geografia, Educação Moral e Cívica a ensinar... Literatura, Romances... Ah! Os romances... E a mãe, religiosa, a Bíblia a rezar...



Aquela criança, então, cercada de livros vivia... De alguns a história de cor já conhecia... Mas, sem cessar, lia e relia... E sempre, pela primeira vez, parecia que para si os trazia... Sozinha, a selecionar aprendia e, também, sozinha, percebia os livros que a ajudavam em sua imaginação tocar e outras histórias fabular...



Embaixo de uma prateleira no quartinho de costura onde a mãe seus trabalhos fazia, ao som do rádio de madeira, da bomba puxando água da caixa, sorria. “Faltou água da rua!” – ouvia. E ao ruído do trac trac da máquina de costura, a criança sentia...



Embalada pelos sonhos e sons, em castelos crescia, em festas se divertia, em grandes aventuras corria, a muitos romances pertencia, com muitas histórias se envolvia...



Uma criança especial... Com talento tal... Que foi crescendo... Outros interesses aparecendo... Mas a importância do livro cada vez mais percebendo...

E a eles sempre recorrendo... Com eles sempre convivendo...



A eles recorria na alegria e na nostalgia... Amando-os e respeitando-os, todos os dias de sua vida...



Casou-se. Os filhos chegaram. Moça ainda, com os filhos lidou. E dos livros mais uma vez precisou... Usava-os sempre... Para ninar, para acalmar, para alegrar e fazer sonhar... Foram crescendo os filhos... E sempre presentes os livros...



Pensou, então, a outras crianças presentear... Voltou a nos livros estudar...



E estudando, pela Literatura decidiu...Passaram-se os anos... E, de repente, como as tias, professora se viu...



E em sua casa e em sua sala muitos livros e textos espalhou... Novamente, em volta de muitos e muitos livros se viu... Mais do que antes... E agora, eram realmente todos seus...



Eram reais, eram igualmente fictícios. Fictícios e reais... Mas eram seus...



Um mundo totalmente seu que poderia ser também de todos...



E então, espalhou sua paixão...



... Que em todos tocou...

... Que em cada criança uma história despertou ...

... Que em cada história uma criança acordou...



E em reflexões a respeito de sua própria história, chegou à conclusão de que as cores de sua vida vinham daquelas páginas sempre abertas...



Sempre presentes...



Sempre dispostas...



Com os livros aprendeu a não ter uma vida castanha...



Hoje, várias cores aparecem.



Vida tamanha...



Onde suas vontades e sonhos se tecem...



E mesmo com os olhos fechados pode ver,

e debaixo daquela prateleira, o trac trac da máquina a ouvir,

a bomba d’água a puxar,

o som do rádio a tocar...

Num arco-íris de histórias a flanar...



Com o livro nas mãos,

ajuda a colorir vidas e sonhos,

com as amigas imaginárias

ou reais a partilhar,

ela vive a costurar

as aventuras,

as histórias,

os castelos...



(Adriana Luz – abril/2003)





































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