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Artigos-->GUANACÉS, UMA "METRÓPOLE" -- 01/03/2023 - 15:37 (HENRIQUE CESAR PINHEIRO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

GUANACÉS UMA “METRÓPOLE”

 

 

          Em 1965 fomos morar em Baturité, vindo da pequenina Pacoti, que, naquela época praticamente era uma única rua. A rua principal, considerando quem entra vindo de Baturité, abre-se em três bifurcações que se encontram mais na frente e formam espécies de losango. Depois do primeiro losango, a rua segue reta para abrir a segunda bifurcação, formando o segundo losango; depois novamente continua reta e forma o terceiro e último losango, para definitivamente, em via única, chegar à ponte na saída para a Palmácia. Em Baturité, eu particularmente fiquei muito admirado com o tamanho da cidade; só o bairro Putiú, talvez, fosse maior do que Pacoti, e olhe que Baturité ainda hoje é uma cidade relativamente pequena.  

          Na época, nosso conhecimento sobre o mundo era muito restrito, limitava-se às informações de livros de geografia, às histórias contadas por pessoas que viajavam e às informações de enciclopédias, principalmente, a Larouse e Barsa. Como não havia os meios de comunicação de hoje, não se tinha noção do tamanho das maiores cidades do país.

          Embora Baturité tenha-me causado certo espanto pelo tamanho, quando chegamos em Fortaleza em meados de 1968, esta já não causava este sentimento. Pois, por diversas vezes, havia visitado à cidade, onde, vez por outra, passávamos férias em casa de parentes.

          Em Fortaleza, fomos morar no Parque Juá, bairro que praticamente ninguém conheça até hoje, ou conheceu, porque com a mudança quase diária do nome de nossos bairros, talvez nem exista mais; e mesmo assim só era conhecido por seus moradores, pois nem quem morava nos bairros adjacentes conhecia aquele bairro como Parque Juá, mas Alto da Balança, devido ao ônibus deste bairro, ter sua linha final no Parque Juá, ao lado do viaduto do Makro.O bairro estava encravado no lado direito da BR-116 sentido Centro/Mecejana, entre o campo do Calouros do Ar e o viaduto mencionado.

No Parque Juá, um vizinho, natural de Guanacés, só falava sobre essa localidade, que eu pensava trata-se de uma cidade, dada a empolgação com que ele comentava sobre ela; e ele ficava todo ansioso para passar os fins de semana lá com a família. Aquelas conversas dele com meu pai e as referências a Guanacés deixavam-me fascinado, intrigado e curioso para conhecer a tal “cidade”, que em minha mente deveria ser uma das maiores e mais bonitas cidades do mundo. Mas isso ficou só na imaginação. Logo depois nos mudamos para a Piedade e Guanacés foi esquecida.

          Os anos passaram, depois da mudança de bairro, de cidade, nunca mais ouvi falar de Guanacés, esquecida para sempre. Certo dia, depois de mais de quarenta anos, nosso ex-vizinho apareceu na Receita Federal, Edilson, conversamos um pouco, mas não falamos em Guanacés.

          Num belo dia, a Nova Iorque da minha adolescência reaparece. Fui fazer uma diligência numa empresa em Cascavel, por um motivo qualquer resolvi ir pela BR-116 e entrar à esquerda em Pacajus, em vez de seguir direto pela CE-040, como seria normal. Estou viajando tranquilamente quando de repente entro num vilarejo e deparo-me com uma placa de aviso de velocidade: “diminua a velocidade, zona urbana, Guanacés.” Parei e fiquei observando por alguns minutos, voltei no tempo e pensei: é, finalmente, conheci meu sonho: e a  Nova Iorque dos meus sonhos juvenis não passava de um pequeno distrito de uma pequena cidade do interior cearense: Cascavel.

 

                                       Henrique César Pinheiro                                

                                       Fortaleza, março/2023

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