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cronicas-->Bermuda -- 23/01/2003 - 17:11 (A. Vicente) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos


O dia estava cinzento e fazia um pouco de frio. Para os olhos sonolentos de Fernanda aquilo era quase o paraíso em plena terra. Nada melhor que arrumar uma desculpa para não sair debaixo do edredon.

Mas o horário das aulas urgia. Ela tinha que conseguir juntar forças suficientes para levantar suas pálpebras. Tarefa hercúlea de se fazer às sete da manhã. Impossível sua realização numa Belo Horizonte que ainda mal tinha se recuperado dos festejos de reveillon. Duas voltinhas a mais do ponteiro pequeno não vão fazer mal a ninguém, pensou nossa heroína. E lá se foi de ela brincar de amarelinha junto ao morfeu.

Acordou apenas na hora de perceber que o sol estava a pino. Inferno em pleno meio-dia. Não tinha fome, muito menos como assistir alguma aula do curso de psicologia. Queria apenas passear pra descansar a cabeça da festinha da noite anterior. E que festinha. Fugiu a noite inteira da turma sarada de educação física. E ainda tem gente que acredita que em Minas não existe tubarão só porque não tem mar. Mas ela adorava se sentir desejada daquela forma. Ao menos a faz esquecer que está há mais de quatro meses sem uma beijo de língua. Óbvio que por opção. E não era promessa alguma pra Santa Edwirgens. A causa era muito menos milagrosa e irritava a macharia de beagá: namoro à distància.

Estava ficando quente, muito quente pra Nanda. E a fome chegando de mansinho. Não queria, mas resolveu ir ao shopping para almoçar, comprar algumas roupas e divertir-se à custa dos olhares vesgos dos garotos. Roupa de guerra: calça jeans, sandalinhas de dedo, óculos escuros e um blusa branca de alcinhas bem justa, que destacava, e muito, o piercing do seu umbigo. Sabia muito bem o estrago que o ar-condicionado do shopping poderia fazer até mesmo aos relacionamentos apaixonados. E era essa a intenção.

Uma curta caminhada de dez minutos que deu pra suar. Dentro do shopping, o plano começou a fluir. Seus seios enrijeceram na hora, como dois faróis de Alexandria. Guiavam os olhares do incautos para a perdição. Assim foi durante a tarde inteira. No restaurante, na livraria, nas lojas de grife e mesmo na fila do cinema.

No caminho de volta, uma passadinha na lagoa da Pampulha pra comer cachorro-quente e pensar um pouco no dia de amanhã. Já em casa, tomou um banho delicioso e se preparou para dormir. Estava sem sono e não tinha mais nada pra fazer. Ligar pro namorado? É ruim. Estava meio abusada dele. Lembrou que tinha o telefone de um menino interessante que conhecera meses atrás pela internet. Mas já passava da meia-noite. Dane-se o horário. Nunca tinha ligado. Hoje seria o dia.

- Oi, Tudo bom?
- Tudo.
- Sabe quem está falando - Uma risadinha nervosa escapou de seus lábios.
- Claro que eu sei. É Fernanda. Pensei que você nunca me ligaria.
- Estou ligando agora, ué. Então... Como é que você está?
- Apenas de bermuda.
- Só de bermuda, é? - Os olhos de Fernandinha brilharam. - Uhuuuuu.
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