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Cronicas-->A Dor e o Saber -- 02/02/2003 - 22:52 (Adriana Engelbart) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A Dor e o Saber
Adriana Engelbart


Talvez motivada por um sentimento de emoção rasgada, daquele tipo que parece arrancar-nos o Oxigênio dos pulmões, quando as sensações de serenidade chegam em doses homeopáticas e quando somos viajantes aleatórios do Elo Perdido - talvez por isso hoje tenham me chegado à mente esses questionamentos, essa necessidade de encontrar refúgio na literatura, de chegar mais perto da subjetividade humana.
Estamos todos sujeitos à agonia da alma. Somos, por vezes, moribundos seres tragados pela realidade mundana; em outras horas parecemos corporativistas separados dos ímpetos sentimentais: curiosa e nefasta dicotomia contemporànea. Hoje, exatamente hoje, na nossa época cibernética, nos tempos da ruína do velho, da necessidade de sublimação por meio da violência, dos modismos digitais que adentram nossos lares, refúgios e locais de trabalho. Quando observam-nos o cotidiano simples com microcàmeras indigestas, como fóssemos invasores de galáxias desconhecidas. Hoje exatamente eu virei um pouco do avesso...
Olhamos para as bancas de jornal. Vemos o quê? Nada. Não sei se os moradores das grandes cidades têm sensação parecida: quando avisto uma daquelas bancas moderníssimas, abarrotadas de publicações (intermináveis páginas coloridas com rostos estampados), nada me chama realmente a atenção. São figuras e formas que enxergo e percebo, porém de que não me apercebo. Será este o sentido da comunicação moderna? A derrota da profundidade? É a supervalorização da imagem em detrimento dos sentidos.
Penso na dor ou em alguma contração de corpo assim chamada. Lembro-me daquela estaca no peito de alguns dias atrás. E como às vezes dói, corrói, desestimula e gera uma desolante animosidade. Agora, ponho-me a imaginar a tal dor tal qual as revistas postas nas bancas da cidade. Se apenas a percebêssemos como coisa corriqueira, se ela não nos atingisse a alma, se não desencadeasse um mergulho profundo em nós mesmos... se apenas nos puséssemos a aceitar a agonia como fato, estaríamos sendo mais sensatos?
Vejo os rostos de uma gente que se aboleta nos ónibus lotados. Identifico expressões de fadiga, reflexos de uma jornada indigesta: pra lá e pra cá, todos os dias, num movimento pendular que não permite visões mais amplas, não deixa a imaginação passear pelos submundos e pelas vastas matas verdes nossas. Observo pessoas que, há muito, perderam algum vislumbre, que insistem em ser simplórias e que manifestam seu descontentamento "olhando feio" para quem quer que seja.
Absorver a dor, apenas: ganir, tremer e, depois, agregá-la à nossa condição de apêndices do mundo. Pela "simplicidade" de tal procedimento, "pensar" essa mesma dor poderia parecer para alguns um mergulho insano, uma veleidade, um estranho comportamento masoquista. Mas hoje, caros amigos, o entendimento profundo me parece mais do que necessário. Se já o era uns anos atrás, é mais ainda agora.
Vivemos numa época perene e fugaz. Nós somos "processados" em máquinas moderníssimas, jogados em imensas esteiras de linha de produção - porque assim seguimos os caminhos sem usar nossas próprias pernas. Olhamos para dentro e, a cada dia, fica mais complicadinho enxergarmos a nós mesmos.
Brutais. Somos criaturas brutais em um palco imenso. Catequizados, incomunicáveis através de prismas diferenciados. Vamos perdendo, aqui e acolá, a nossa capacidade subjetiva, a ànsia pela compreensão dos processos: o antigo pode ser ardilosamente, "peçonhentamente" vendido como novo e acabamos considerando isso como coisa normal - como o olhar pesado dos passageiros dos ónibus lotados!
E a nossa dor? Fica estancada, como fosse sangue pisado. Fica por ali a marca, passando despercebida - mas ali está ela para quem puder olhar mais de perto. Por isso, é urgente o entendimento das nossas dores, dos nossos "nós" e mazelas. Que saibamos identificar os percursos dos nossos corações e mentes e, se nos levarem ao sabor/dissabor do vento das mentiras, que num segundo momento estejamos cientes, serenamente (ou ativamente) críticos. Que possamos usar nossa reflexão para tornarmo-nos cidadãos decentes e não bonequinhos de um sistema vil que nada acrescenta e só trata de nos afanar a consciência todos os dias.
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