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Cronicas-->O Paradoxo da Conformação -- 13/02/2003 - 00:05 (André Luiz Rodrigues Marinho) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A televisão estava ligada. Ele, em frente, absorvido. Estava a procura de descanso, buscava ficar entretido ao menos por alguns minutos, tentando esquecer a correria e a ansiosidade que o dia-a-dia lhe proporcionava.

Ia sentar-se. Não havia ainda reparado no que a televisão transmitia. Seguiu rumo ao sofá e parou no meio do caminho. Olhou para a tela meio como se não recebesse a mensagem e, se dando conta, a olha novamente, porém com mais atenção.

A programação não era das melhores. Era noite e passava um telejornal. Como de costume, trocaria de canal (...) Até que viu - na mesma tela - muitas pessoas juntas, aglomeradas, pois a càmera fazia uma imagem panoràmica naquele instante. Conforme a aproximação ascendia, foi percebendo as expressões destas pessoas. Estavam tristes, muitas choravam e todas estavam - era muito claro sentir isso - indignadas.

Pensou no que poderia estar acontecendo. Viu feições de pessoas humildes, cobrando justiça. Gente desesperada, como se tivessem lhe tirado parte da alma. Prestou atenção agora na narração da reportagem. Foi então que descobriu o motivo de tanta angústia: Uma família enterrava todos os filhos vítimas de soterramento. Houve um acidente. Uma avalanche de terra derrubando sua moradia. E houve outro muito mais grave, em seguida. As vítimas não conseguiram socorro.

Ele, que procurava algo que o divertisse, se viu penetrado na dor dessa família. Sentiu um arrepio profundo que passava por todos os pólos do seu corpo. Como podia acontecer tal tragédia? Ninguém ali havia cometido nenhum crime que precisasse pagar desta maneira...

Sentiu-lhe cair uma lágrima sobre o rosto. E com asco, secou-o, como se achasse que assim pudesse cobrar - indiretamente - por "justiça". Seria esta uma justiça divina? Era o que ele queria (...)

Não resistiu e trocou o canal do aparelho, pois sentiu-se incapaz de tomar qualquer atitude. Na outra emissora, também passava um jornalístico, mas com outra reportagem: Mostrava várias manifestações ao redor do mundo contra a tal guerra iminente. Ele, atento novamente, compactuava com a causa dos manifestantes e se julgava presente, em pensamento. A reportagem, no final, mostrava que os manifestos não eram atendidos e que todos estavam sendo ignorados. Outra injustiça.

Ainda não tinha esquecido das crianças mortas. Sua mente clamava por justiça. Queria gritar e que seu grito de indignação e inquietação ecoasse por todos os países, continentes, astros e planetas...Mas estava só e não possuía tal força.

Respirou fundo. Sentia-se inerte, impossibilitado de agir de modo a obter resultados significativos. Viu que ainda estava de pé e sentou-se, finalmente. Desligou a TV e fechou seus olhos. Uma certeza ele tinha: Que a vida é injusta, mas lidar com essa injustiça e procurar ações a fim de erradicá-la é fundamental para o aprendizado e elevação do espírito. Mas não podia fazer nada, naquele momento. Talvez no futuro. Mudar o mundo? Ah, isso ele também queria...

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