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Cordel-->MENSAGEM DE UM ITINERANTE -- 07/04/2006 - 09:58 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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MENSAGEM DE UM ITINERANTE

Eu não sou cabra da peste,
Nem um machista gaúcho,
Se bem que macho eu sou
E agüento qualquer repuxo;
Nasci no solo paulista,
Não sou nenhum repentista,
Mas o som da viola eu puxo.

Sou um poeta sem luxo,
Vaidade não alimento,
Só quero viver em paz
Desaforo até agüento;
Não suporto é falsidade
Porque amo a verdade
Que está na voz do vento.

Eu fui moleque briguento,
Bati, também apanhei,
Fui desobediente aos pais,
Porém sempre os honrei,
Como manda a Lei de Deus,
Cumprindo os deveres meus,
Errando quando acertei.

Pelos meus erros paguei,
E se até hoje eu pago,
É porque algum engano
Comigo ainda trago;
Da verdade não sou dono
E se ocupo algum trono
É no momento em que "vago”.

Quero reparar o estrago
Que por acaso eu fiz,
Fazendo alguém sofrer
Quando busquei ser feliz,
Sem lembrar que o irmão
Precisava duma mão
E dar a minha não quis.

Diante do Deus Juiz,
Um dia eu vou estar
E de vocês, meus amigos,
Por certo irei lembrar;
Arrependido estarei
Pelo abraço que neguei,
Do beijo que não quis dar.

Quando o meu fim chegar,
Estando já moribundo,
Talvez eu me arrependa
Com um remorso profundo
Por ter negado um sorriso,
No momento mais preciso,
A um pobre vagabundo.

Bastaria um segundo
Para tirar o desgosto
Do mendigo maltrapilho,
Mas preferi ver o rosto
De uma bela menina,
Parada ali na esquina,
Embora a contragosto.

Quem sabe fiz o oposto
Do que devia ter feito;
A minha consciência manda
Colocar a mão no peito,
Dizer nas horas melhores:
Se “honores mútant mores”, *
Deixa-me o bem satisfeito.

Eu sei que não é direito
A gente trair o irmão,
A verdade é uma só
Em qualquer ocasião;
A ciência explica tudo,
E o leigo fica mudo,
Não tendo disso noção.

Por causa da ambição,
Judas a Cristo vendeu,
De medo Pedro o negou
E não vou responder eu,
Porém perguntar-lhes vou:
Por que Pedro se salvou
E o Judas se perdeu?

Sem responder, digo eu:
Estamos numa jogada,
O que sabemos é pouco,
Sequer conhecemos nada,
O certo é quando queremos
Saber o que não sabemos
Para uma vida acertada.

Há sempre uma encruzilhada
Esperando-nos à frente,
Em lá chegando, paramos,
Para prosseguir novamente,
Mas é preciso escolher
Nova estrada a percorrer,
Nunca estacar simplesmente.

Só mesmo quem é valente
Qualquer senda escolhe e vai,
Se ali chegou sem mãe,
Prosseguirá sem ter pai,
Conforme o decidir,
Guerra ou paz irão vir,
Merecendo: ufa! Ou, ai!

Se alguém acha que não cai,
Fique atento e não espere
Que da toca o inimigo
Lhe surpreenda e se apodere
De toda sua riqueza;
Afronte-lhe a vileza
E o golpe que desfere.

A minha boca profere
Mas quem diz é o coração,
Na voz do fundo da alma,
Com toda convicção:
O Bem vencerá o Mal,
Por conseguinte a moral
Não está em extinção.

Faço esta afirmação
Até para quem não gosta,
Não deixo uma conclusão
Porque não tenho resposta,
Mas estendendo-lhe a mão,
Pergunto-lhe, meu irmão:
Em que lado você aposta?

*Nota: As honras mudam os costumes.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benedito.costa@previdencia.gov.br
DDIREITOS AUTORAIS RESERVADOS

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