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Cordel-->PREVIDÊNCIA - URGENTE PROVIDÊNCIA -- 12/07/2006 - 12:10 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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PREVIDÊNCIA - URGENTE PROVIDÊNCIA

Em versos narro um caso
Que no Brasil acontece
Você não vai duvidar
Porque em parte conhece
A imagem da Previdência,
Já às portas da falência
Do falado INSS.

Este fato me entristece,
Contou-me um amigo meu
Um senhor já de idade
O que com ele ocorreu,
É mesmo uma história triste
E minh´alma não resiste,
Sofreu ele e choro eu.

O meu coração doeu
Ao saber de sua idade:
Sessenta e cinco anos,
Ele não tinha vaidade
Só na roça trabalhou
Ficou viúvo e desgostou,
Veio morar na cidade.

Por sorte ou felicidade
Sua mãe era vivente
Com oitenta e cinco anos
Dele era dependente,
Os filhos dele, criados,
Pelo mundo espalhados,
Nenhum estava presente.

É triste, infelizmente,
Este caso que eu conto
A mãe dele adoeceu,
Morreu e ele ficou tonto
Tristonho no seu barraco
Na Favela do Buraco,
Cujo casebre achou pronto.

Ele não busca confronto
Bem resignado está
Porque sua sorte entrega
Ao bondoso deus-dará,
Porém disse em segredo,
Não escondendo seu medo,
Que votou em Lula lá.

Dessa sua sorte má,
Transcrevo o que me contou
Em minhas próprias palavras,
Pois ele me autorizou
Contar assim do meu jeito
O que ele sente no peito
E só a mim revelou.

Nos termos que ele usou,
Serei fiel até o fim,
Mas digo noutras palavras
O que contou para mim,
Baixou a fronte encurvada
E não me disse mais nada
Do caso que é assim:

Nosso mundo é ruim,
Pois não se aposta em nada,
Há um beco sem saída
Que não tem encruzilhada,
Se ninguém se precaver,
A gente ainda vai ver
Nossa terra desolada.

Acordei de madrugada,
Tomei um forte café
Tranquei a porta do quarto
E saí andando a pé,
Com toda minha paciência
Fui até a Previdência,
Embora com pouca fé.

Para enfrentar a maré
Fiquei lá no fim da fila
Que tinha uns trinta metros,
Com gente até de mochila,
Quase dobrando a esquina,
Lamentei a minha sina
Pensando em voltar pra vila.

“Não quero desiludi-la”,
Disse eu a uma senhora;
“Pra gente pagar imposto,
Não tem dia nem tem hora,
Mas para se aposentar,
Após muito trabalhar,
Daqui nos mandam embora”.

“Exigem aqui e agora
Toda a documentação,
A relação de salários
Com nossa contribuição,
Mas se faltar alguns dados
Somos logo dispensados
Pra voltar noutra ocasião”.

Respondeu a velha, então:
- Aqui a gente perde o almoço
E a janta até atrasa,
Cachorro fica sem osso,
Com toda essa carência,
Quem procura a Previdência,
Já está no fundo do poço.

Nisso um grande alvoroço
No fim da fila formava,
Uma senhora de idade
Na calçada desmaiava,
Seu filho que era forte
Estava perto e por sorte
A velhinha amparava.

Enquanto ele segurava
Nos braços sua mãezinha,
Correram chamar o médico,
Devagar o doutor vinha,
Falando que só atendia
Se funcionária vadia
Preenchesse uma fichinha.

Eu vi nela a mãe minha,
Dizia o meu amigo,
Contando a sua história,
Que aqui em versos digo:
- É preciso providência
Em socorro à Previdência
Do INSS, inimigo.

Neste caso, eu prossigo
Contando o que aconteceu
No final daquela fila,
Conforme o amigo meu,
Querendo se aposentar
E sentiu um mal-estar,
Tanto que me comoveu.

Aquela mulher morreu
E o pobre filho chorava
A perda de sua mãe
Na hora que desfilava,
Ou seja, saiu da fila;
Sem mãe voltou para a vila,
Enquanto a fila aumentava.

Brasileiro é gente brava
Faz da tripa o coração,
Meu amigo continuou
Com a sua narração,
No fim da qual eu chorei
Porque não existe lei
Que ampara o cidadão.

Apertei dele a mão,
Pedindo continuar,
Eu era todo ouvidos,
Sem muito querer falar,
Aquele amigo sem glória
Concluiu a sua história
Depois de muito chorar:

- Custou a fila andar,
Porém chegou minha vez,
Atendeu-me a funcionária
Com um jeito até cortez,
Meus documentos olhou
E displicente falou:
- Volte no próximo mês.

Faltou o nome do freguês,
Ou cliente, sei lá eu,
Entregou-me uma senha,
Aquilo me entristeceu,
Senti-me no abandono
Tal e qual um cão sem dono
Que na sarjeta morreu.

Cabisbaixo lá fui eu
De volta pro meu barraco
Com uma ficha na mão
Que me enche mais o saco
E alivia a consciência,
Pois sei que a Previdência
É um verdadeiro buraco.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benegcosta@yahoo.com.br
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS














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