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Cordel-->APOSENTADORIA DE UM BRASILEIRO -- 04/11/2006 - 15:33 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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APOSENTADORIA DE UM BRASILEIRO

Levantei de madrugada,
Que triste destino meu,
Fui até o INSS,
Senhorita me atendeu,
Dizendo que eu precisava
Duma perícia e marcava
Com o Doutor Doroteu.

Perguntei, não respondeu
Para onde que eu ia...
Chamou o outro da fila,
Dali saí à revelia,
Percorrendo os corredores,
Sentindo tão fortes dores
E uma triste agonia.

Após um mês, eu me via,
Ali diante do doutor,
Que me disse, sem me olhar:
- Qual a doença do senhor?
Se quiser se aposentar,
Primeiro tem que provar
Para mim a sua dor.

- Pegue o peso, por favor,
Levante rapidamente,
Flexione os seus joelhos
E não dê um passo à frente,
Porém, se não conseguir,
Eu vou ter que indeferir
Seu pedido, infelizmente.

Eu lhe disse simplesmente:
- Fazer força eu não posso,
Nem mais enxada levanto
Para ganhar o pão nosso,
Não se pode comparar
Assim num simples olhar
O meu ofício e o vosso.

“O que me diz não endosso”,
Disse o Doutor anotando,
- Você tem sessenta anos
E pode estar trabalhando,
Tem muito ainda que dar
Em prol da Pátria e do lar,
Nada de estar reclamando.

Eu estou me aposentando,
Procure outro doutor,
Volte daqui mais uns meses,
Se não passar sua dor,
Cuide da alimentação,
Vai sofrer, mas não em vão;
Se morrer, é por amor.

Eu pergunto ao senhor,
Aqui sou eu quem o diz,
Num país de roubalheira,
Dá pra gente ser feliz?
Santa Virgem Madalena,
Nem rezando uma novena
Para o bem deste País.

Acorda, seu infeliz,
Pra não morrer sufocado,
Trabalhe enquanto é vivo,
Nem inveje o aposentado;
Com sorte você falece
Na fila do INSS,
Depois de esperar deitado.

Eu dali saí frustrado,
Tendo nas mãos um papel
Que o doutor me entregou
Com as letras de Babel;
Apresentei-me a um guichê,
Mulher fazia crochê,
A servidora Isabel.

Ela me encarou com fel
E foi amarga de fato,
Dizendo a este idoso:
- Não reconheço o ato
De quem o mandou aqui,
Falta um carimbo ali
Pra validar o relato.

Eu que sempre fui cordato,
Voltei para trás e fui
Até a sala do doutor,
Porque só ele conclui
Que estou impossibilitado
De trabalhar no roçado
E o Deus do céu anui.

Nossa esperança rui,
Sem mais termos a esperar,
Quando em quem acreditamos
Não podemos mais confiar;
Aquele doutor sabido
Tinha o último atendido
E já regressara ao lar.

Eu não pude carimbar
Esse documento meu,
Voltei numa outra fila,
Até que em fim me atendeu
Senhora de meia idade
Que me sorriu com bondade,
Atenta ao problema meu.

Bom atendimento deu,
Mas não achou solução
Para o caso que eu trazia
Na alma e no coração,
Dizendo que não podia,
Porque uma Lei regia
Direitos do cidadão.

Só sei que fiquei na mão,
Da sorte que prescreveu;
Não pude me aposentar,
Muito doente estou eu,
Aqui esperando a morte
Com a sua melhor sorte
Que a vida não me deu.

Do INSS, lá fui eu
De volta pro meu barraco
Com uma ficha na mão
Que me enche tanto o saco
E alivia a consciência,
Pois sei que a Previdência
É um verdadeiro buraco.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benegcosta@yahoo.com.br
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS

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