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Cordel-->O FEIJÃO E A COUVE -- 20/03/2007 - 20:36 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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O FEIJÃO E A COUVE

À porta de meu barraco
Eu me sento na soleira,
Atrás de mim um buraco
Cercado todo em madeira.

Na seca é só poeira,
Chovendo forma-se o barro,
Levo a vida costumeira
Entre bebida e cigarro.

Ao cavaco eu me agarro
E esqueço o tempo presente,
Dou uma tossida e escarro,
Canto num tom estridente.

Quem me ouve é somente
O meu cachorro sarnento
Ao meu lado bem contente,
Sem sentir o desalento.

Eu dedilho o instrumento
Com toda minha destreza,
Entôo meu canto ao vento
Que leva minha tristeza.

Sei que a vida tem beleza
Porque já ouvi o canto
Da cigarra, essa princesa,
Que ao verão traz encanto.

Preguiçoso, entretanto,
Daí a minha miséria,
De certo modo sou santo
E minha vida é séria.

Acredito na matéria,
Mas creio no espiritual;
Minha fé é deletéria,
Tanto no bem ou no mal.

Vi nascer no meu quintal
Um simples pé de feijão,
Ele se achava o tal,
Mas antes era um só grão.

Eu o vi cair no chão,
Para o meu bem afinal,
Quando abri o portão
E transpassei o umbral.

Escapara do bornal
Que às costas eu trazia:
Mantimentos e um jornal,
Minha compra desse dia.

Enquanto pinga eu bebia
E pensava cá comigo,
O pé de feijão nascia
Para ser meu novo amigo.

Nossa sorte não maldigo,
Hoje alguns anos depois,
Três meses ficou comigo
Nem me lembrei do arroz.

Fé na vida ele pôs
E cresceu rumo aos céus:
As folhas quais mãos apôs
Pedindo chuvas a Deus.

Eu com os botões meus
Numa dúvida ficava:
Só poeira me dava Zeus
E uma cruz me entregava.

Sem muita fé eu rezava
Que o Senhor do Universo
Não voltasse a face brava
A este que ora em verso.

Por sorte um atalho inverso
Fez com que eu encontrasse,
Não o inimigo perverso,
Mas meu irmão, face a face.

Nasceu também uma alface
Junto ao pé de feijão,
Sem que um dos dois errasse,
Houve entre eles atração.

Balançou meu coração,
Torcendo que os vegetais
Traçassem a união
Pra não rompê-la jamais.

Sem querer gemi meus ais,
Pela dor duma paixão,
Por alguém que não quer mais
Dar a mim consolação.

Vislumbrei nessa ocasião
O romance que eu tive,
Que me deu desilusão
E cuja dor sobrevive.

A emoção não contive
E cantei diante da horta
Que o amor ainda vive,
Entrando por essa porta.

Esperança não é morta
O meu cavaquinho fala:
Na cozinha assa-se a torta
E o cheiro vai para a sala.

Quem o meu sono embala,
Que também a Deus o louve,
Pois comigo agora fala
Um bonito pé de couve.

Para o Criador aprouve
Criar a mosca e a abelha,
A minha voz Ele ouve,
Pois Dele eu sou centelha.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benegcosta@yahoo.com.br
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS




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