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Cordel-->ENIGMAS DE UMA VIDA -- 17/04/2007 - 19:13 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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ENIGMAS DE UMA VIDA*

Pela audácia de um dia nascer,
Feliz se achou e com essa ousadia,
Sonhando alto não pôde prever
A triste sorte que ao mundo trazia.

Feliz se achou e com essa ousadia
Não lhe fez falta um rústico manto,
A triste sorte que ao mundo trazia
Ninguém sabia, nem ele, no entanto.

Não lhe fez falta um rústico manto
Porque amor e carinho ele tinha,
Ninguém sabia, nem ele, no entanto
Que sua sina seria mesquinha.

Porque amor e carinho ele tinha,
Feliz da vida não houve suspeita
Que sua sina seria mesquinha,
Infelizmente ela estava de espreita.

Feliz da vida não houve suspeita
Que ali por perto a má sorte rondava,
Infelizmente ela estava de espreita
Para roubar-lhe o prazer que gozava.

Que ali por perto a má sorte rondava,
Não lhe contou nem tampouco a lua,
Para roubar-lhe o prazer que gozava
E o deixar longe da imagem sua.

Não lhe contou nem tampouco a lua,
Vagando triste e culpando a si
De o deixar longe da imagem sua,
Para esconder-se distante dali.

Vagando triste e culpando a si,
Foi-se a lua entre as nuvens dos céus,
Para esconder-se distante dali,
Porém coberta com seus negros véus.

Foi-se a lua entre as nuvens dos céus
Presa em seu quarto, por ter sido omissa,
Porém coberta com seus negros véus
Até que um dia se faça justiça.

Presa em seu quarto, por ter sido omissa,
Do alto manda chover sobre a terra
Até que um dia se faça justiça
E cão e gato não queiram mais guerra.

Do alto manda chover sobre a terra,
Em meio ao pranto um pedido nos faz,
Que cão e gato não queiram mais guerra,
Pois desejamos um mundo de paz.

Em meio ao pranto um pedido nos faz
De leste a oeste, de norte a sul,
Pois desejamos um mundo de paz,
Cá neste nosso planeta azul.

De leste a oeste, de norte a sul,
Todo vivente terá de morrer
Cá neste nosso planeta azul,
Pela audácia de um dia nascer.

*Convido a todos os usineiros que após
lerem este poema façam um minuto de silêncio
em homenagem ao nosso grande colega e amigo
DOMINGOS OLIVEIRA MEDEIROS,
falecido no último final de semana.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benedito.costa@previdencia.gov.br
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS

CORDELANDO DE OUVIDO
(Por Domingos Oliveira Medeiros)

Benedito Generoso
Meu amigo e meu irmão
Entrou na sala de aula
Explicou com muita paixão
Que o cordel do pé quebrado
É tempo desperdiçado
E nisso tem muita razão

Ele é do ramo e conhece
Bom professor do rimado
De métrica e de oração
Já possui o doutorado
Na escola do Piolho
Fez a massa e o molho
Pro cozido e pro assado

E apesar de tanto ensino
Foi humilde e recatado
Incentivando aprendizes
E qualquer interessado
Que tivesse algo dizer
Sem das regras esquecer
Do peito do desafinado

Assim é o Benedito
Sincero como a verdade
Prestando um grande serviço
À nossa comunidade
Em prol da literatura
Mostrou a bula que cura
O verso com sonoridade

Um assunto puxa outro
Por conta da inspiração
E a lição que foi dada
Teve, de pronto, adesão
De menestréis professores
Todos eles já doutores
Prestaram colaboração

Assim veio o velho Dantas
Reforçando a conclusão
Velho como o bom vinho
Nessa minha concepção
Pois todo bom cordelista
Para pertencer a lista
Traz no peito a vocação

Vocação bem relatada
Métrica, rima e oração
Daudeth deu seu recado
Foi ao cerne da questão
Nem o detalhe esqueceu
Muita importância ele deu
Para a dramatização

Não faltou, nem bom humor
Travestido de gozação
Nos versos de Hélio Amaral
Tentando fazer confusão
As regras modificando
De outras regras falando
De certo, com boa intenção

O amigo foi sincero
Fala de um tempo passado
Vivido na mocidade
De um bordel freqüentado
Lembranças de uma paixão
Fragmentos de emoção
De um homem conformado

Eram dois pra lá, dois pra cá
Hoje o homem é regrado
Não dança mais o bolero
Vive em casa, parado
Mas aprendeu a lição
Gravada no seu coração
A regra do metrificado

Há regra de todo tipo
Do cabaré, do bordel
A regra pra ser seguida
Na escola e no quartel
A regra de quem tiver
Do homem ou da mulher
Há regra, também, no cordel

No rumo da hierarquia
O aprendiz, o soldado
O cabo, depois o sargento
O oficial graduado
Depois vem o coronel
O comandante do quartel
O general bem formado

Assim acontece na rima
No dizer da poesia
Tem que haver disciplina
Respeito à hierarquia
Não pode o soldado raso
Pensar e escrever por acaso
Com a mesma maestria

De quem vive na estrada
Nas idas e vindas da vida
Cortando caminhos ingratos
Seguindo a rota perdida
Reunindo experiência
Testada pela ciência
Do chão do mundo colhida

Neste quartel imaginário
Me considero um soldado
Nem general nem capitão
Apenas um homem fardado
Na luta que faz sentido
Que faz bem ao nosso ouvido
Um bom verso bem rimado

Que não seja pé quebrado
Que passe despercebido
Que não seja desafinado
Mesmo tocando de ouvido
É preciso que o bordão
Toque fundo o coração
E possa ser entendido

Da vida, nada se leva
Diz o velho ditado
O bom feito permanece
Para sempre, eternizado
Tudo feito com carinho
Anda no rumo, direitinho
Por Deus, há muito traçado

24 de julho de 2004

Obrigado, amigo DOMINGOS, pela amizade
e lições de vida,
Benedito Generoso da Costa

Leia também meu cordel inspirado
num dos motes do Domingos:

MOTE DE DOMINGOS







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