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cronicas-->Faux Pas -- 26/08/2000 - 10:56 (André Bednarski) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

Faux Pas

Passo em falso, mancada, deslize. Já protagonizei muitos e testemunhei vários. Mas ao contrário de muitos que se envergonham dessas paradas, posso contar alguns casos que, se no mínimo me envergonharam, também conseguiram me ensinar alguma coisa.
Pois eu era o professsor de um famoso instituto de idiomas em Porto Alegre, e tinha excelentes colegas. Era um ambiente agradável em que todos partilhávamos mais ou menos das mesmas experiências e por isso até nos permitíamos certas brincadeiras. Eu, sempre querendo bancar o espertinho, cumprimentava uma de minhas colegas, notadamente tímida e recatada, com a mesma pergunta: "Olá Ana, como vai a sua vida sexual ?" e deixava a moça corada assim meio sem saber o que dizer. Minha diversão megalomaníaca era essa, deixar a jovem senhora embaraçada.
Mas vai daí que depois de uma semana sem ver minha colega pelos corredores eu a encontro na sala dos professores saboreando um chá. Matreiramente me esgueiro por suas costas e agarrando-a pelo braço pergunto a plenos pulmões: Olá Ana ! Como vai sua vida sexual ?!?".
Silêncio. Um olhar meio sem vida. Ana não parece embaraçada como de costume. E então, de seus olhos profundamente azuis começam a verter lágrimas. Dessa vez quem é pego de surpresa sou eu e sem entender o que está acontecendo vejo Ana abandonar a sala e sumir pelo corredor.
Fiquei eu ali, no meio da sala, feito um boto-rosa fora d´água, braços estendidos como Jesus Cristo, sob o olhar de censura de meus colegas. Jennifer se aproxima e então me diz:

- O marido da Ana acabou de morrer. É por isso que ela andava sumida. Não te disseram ?

Somente muito tempo depois é que eu tive coragem de encarar a Ana novamente. Pedido de desculpas feito de joelho. Compreensiva ela me disse que já havia me perdoado há tempos, e que nem culpa eu tinha porque não sabia de nada. Aprendi a ficar com a boca um pouco mais fechada.

Em outra ocasião, fomos eu e minha esposa, informados da morte da mãe de uma amiga e tivemos de comparecer ao enterro. Eu tenho pavor de enterro: a choradeira, a tristeza, o prelúdio daquilo que está por vir... Mas enfim, não podíamos faltar. E chegando no cemitério, procuramos a capela, dêmos os pêsames aos familiares e ocupamos as cadeiras ao lado do caixão. Aquela era uma noite fatídica sob vários aspectos, pois as capelas ao nosso redor estavam também ocupadas com serviços fúnebres.
Após pouco mais de uma hora sentado comecei a sentir algumas dores nas costas. Havia estado dirigindo quase todo o dia e aquela posição me incomodava. Tínhamos de esperar alguns familiares que vinham do interior, o que me fazia prever mais alguma espera. Resolvi me levantar e, dizendo à minha esposa que iria ao banheiro, tomei o rumo dos corredores. Dei uma boa caminhada, estiquei as pernas e os braços, fui realmente ao banheiro e tomei o caminho de volta para a capela.
Quando entrei na sala não encontrei minha esposa. "Deve Ter ido dar uma caminhada também", pensei. Entrei e fiquei esperando. Reparei então na mulher que estava do meu lado, uma bela jovem negra de cabelos presos. Ela reparava em mim com um olhar de espanto. Ao lado dela, uma senhora também me olhava boquiaberta. À sua frente um senhor negro, finamente trajado, um tanto quanto careca me fitava com os olhos arregalados e um tanto quanto intrigado, como se estivesse pensando "Mas que diabos ?..." e foi então que dirigi meu olhar ao caixão e quem estava lá dentro não era a mãe de minha amiga, mas uma pessoa que eu nunca havia visto antes.
Eu havia entrado na capela errada...
Foi então que eu também percebi que eu era o único branco na sala.
Abaixei a cabeça e franzi o cenho, como se tomado de imensa dor. Soltei um suspiro profundo e desalentado. Olhei para o lado e murmurei: " Que tristeza, que tristeza..." Novo suspiro. Me levantei e saí silenciosa e rapidamente.
Voltei para a capela certa e fiquei bem quietinho, até que a cerimónia terminasse...

Mas a pior situação ocorreu quando eu ainda estava no ginásio ( aqui estou eu revelando minha idade de novo ). Eu fazia o trajeto da escola até minha casa sempre acompanhado de uma colega que morava nas imediações. Seu nome era Helena. Helena era assim... como dizer,... bem fornida. Seios grandes e aparentemente bonitos, com os quais os rapazes ( entre eles eu ) sonhavam em seus momentos de inspiração delirante. Pois bem. Naquele dia Helena veio para a escola com um decote especialmente provocador. E como em todos os dias, nós voltamos juntos para casa. Só que neste dia em particular minha atenção era atraída pela curvatura linda e insinuante de sua pele que me deixou simplesmente cego para todo o resto. Tão cego que eu não vi a tampa de um bueiro aberto, bem pelo caminho que eu trilhava com Helena. De repente, o chão desapareceu sob meus pés. Apanhado pela surpresa e medo comecei a cair. Confuso e em desespero pensei "Tenho de me agarrar em algo" e o "algo" mais próximo era Helena. Assim, grudei as mãos em seus seios, antes apenas objeto de admiração, agora minha salvação para uma queda de mais de dois metros. Apavorada ela gritou e eu continuei caindo, puxando sua camisa até que a rasguei e fiz saltar em um "pop!´´ o par de seios, o sutiã sendo lançado a vários metros, fruto da incrível pressão a que eram submetidos. Mas eu continuei caindo. Me grudei então em suas calças, às quais também rasguei, até que consegui me firmar em uma das bordas do bueiro e sair.
Na minha frente Helena quase pelada, eu ofereci minha camisa para que ela se cobrisse. Levou bem mais de um mês para que ela me perdoasse, mas no final tudo ficou bem.
Se ao menos eu soubesse que estou livre de cometer novas gafes, tudo bem. Mas essa estranha condição humana nos faz passar pelos maiores apuros. Bem, não adianta nada. Como diz o velho ditado "se o inimigo é forte demais, una-se
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