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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo IV -- 12/08/2004 - 11:32 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo IV

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Foram dias de apreensão. Ah, Como eu esperava ansiosamente a resposta daquela carta! E os dias passavam e nada dela chegar. Aos poucos, a sensação de que Diana não me responderia, de que eu agira inocentemente feito um garoto idiota e apaixonado, e de que ela nem mesmo se lembrava mais de mim foi tomando conta de meu espírito. Então, a lembrança de que ela não comparecera na festa em Santa Clara foi como a confirmação de meus temores. Meu coração estava deveras apertado; e eu estava sofrendo uma grande decepção amorosa.
Uma semana depois do envio da carta, quando eu já havia perdido as esperanças de obter uma resposta, a carta chegou. E ainda por cima eu nem estava em casa para recebê-la.
Ao chegar do trabalho para arrumar-me para a escola, encontrei a carta sobre o aparelho de TV. Na realidade, eu a vi por acaso. E quando tomei em minhas mãos e li o meu nome, meu coração palpitou com intensidade. Foi como se eu recebesse de repente uma notícia que me deixasse extremamente perturbado. Lembro que, antes mesmo de ver no verso o nome “Diana”, eu já sabia que a carta só poderia ser dela.
Ah, só de lembrar a emoção que senti naquele momento, sinto um aperto forte no peito! Ah, como eu queria viver aquela emoção mais uma vez, nem que fosse por uma fração de segundo! Ah, como eu gostaria de sentir aquilo tudo de novo! Sei que nunca poderei. Os anos, o peso da idade, a dureza em meu coração causada pelos maus tratos a que se submeteu não permitem que possa experimentar isso novamente. Tudo não passa de lembranças, lembranças de um tempo perdido no passado.
Ah, querido leitor! Dói muito relembrar tais passagens de minha vida. Vez ou outra, penso até em desistir de narrar minhas memórias e contar como tudo aconteceu. Sinto que tal empreitada custa-me caro não só à alma como também ao corpo. Vejo que à medida que vou lentamente narrando os fatos, meu corpo parece ficar mais debilitado. Sinto que, ao ir pouco a pouco tirando isso de dentro de mim, a minha vida também pouco a pouco vai se aproximando do fim. É como se cada palavra que eu arrancasse, um pedacinho da minha vida saísse junto.
Mas não tenho mais como viver com isso dentro de mim, nem que custe a minha vida. É melhor desaparecer sem essa dor do que continuar a viver com ela. Posso até parecer um tanto desesperado, mas não tenho como continuar desse jeito. Que seja assim, se for o meu destino...
Sei que, mesmo que você queira, não será capaz de imaginar o estado em que fiquei ao virar a carta e ler o nome dela escrito em azul. Era uma letra miúda, um tanto irregular. Parecia mais com a letra de uma criança de oito ou nove anos do que a letra duma jovem de 16 anos. Mais isso só vim a perceber muito mais tarde, quando a chama da paixão havia praticamente se extinguido.
Ainda me recordo que corri até o banheiro com a carta na mão e me tranquei lá dentro. Nem que o mundo estivesse acabando lá fora, eu abriria a porta antes de terminar de lê-la.
Num primeiro momento, não me atentei em nenhum outro detalhe da carta que não fosse suas palavras. Eu só queria saber o que ela havia escrito, o que ela estava me contando. Então li a carta com muita rapidez; e só depois então que fui relê-la e prestar atenção aos detalhes.
Não era uma carta muito grande e nem usava um papel especial. Diana a havia escrito em duas folhas pequenas de caderno, desses que são grampeados no meio. Sua letra era totalmente irregular e havia alguns erros gravíssimos de português. Não que eu fosse bom aluno em português; não, na verdade eu era péssimo aluno nessa disciplina, mas os erros eram tão visíveis que não pude deixar de nota-los.
Isso porém não diminuiu em nada meu entusiasmo. Sinceramente, eu achei a carta linda. Ah! Ainda me lembro daqueles coraçãozinhos desenhados com caneta vermelha ao redor da margem, como se fossem bordas! As palavras e depois os corações agiram sobre mim de forma inexplicável. Se eu já a amava antes mesmo de receber sua carta, depois então, fui tomado por uma paixão avassaladora.
Diana dizia na carta que também estava me amando e explicava os motivos pelos quais não foi possível ir à festa em Santa Clara. Depois falava um pouco de si e como estavam sendo seus dias. No final pedia para que eu respondesse o mais breve possível e me pedia o número do telefone para me ligar.
Não sei quanto tempo fiquei trancado ali, mas quando saí não era mais o mesmo homem. Se havia alguma dúvida com relação meus sentimentos para com ela, tais dúvidas haviam se desvanecido. Agora sim, todos poderiam dizer que estava perdidamente apaixonado por alguém.
Tranquei-me em meu quarto e até me esqueci da escola. Li e reli aquela carta incontáveis vezes. E a cada vez que a lia, sentia uma nova sensação, como se a lesse pela primeira vez.
A resposta foi escrita naquela mesma noite. Contei-lhe acerca de minha saudade, da ansiedade em esperar a resposta da primeira carta; disse-lhe o quanto havia adorado a carta dela e falei um pouco sobre meu dia-a-dia. Ao final, anotei o número do meu telefone e disse-lhe o horário em que poderia me encontrar em casa. No dia seguinte, enviei-lhe a resposta.
Durante cinco meses houve uma troca intensa de correspondência e telefonemas. Pelo menos a cada quinze dias chegava uma carta dela e logo depois eu enviava outra. Às vezes, eu demorava três ou quatro dias para responder-lhe a carta, não mais que isso. Quanto aos telefonemas, falávamos pelo menos uma vez por semana.
Eu sabia que as ligações interurbanas não eram muito baratas, como são hoje; assim procurava não abusar muito para não lhe causar grande despesa. Ainda mais que ela não tinha telefone, portanto era preciso me telefonar dum telefone público. Se eu pudesse lhe telefonar, certamente nos falaríamos amiúde; contudo, durante os primeiros meses isso não foi possível.
Ah, mas como era gostoso ouvir a voz dela do outro lado da linha! À vontade que eu tinha era de ficar falando com ela por toda a eternidade. Ah, como me apertava o coração quando chegava o momento de desligar! Era como a possibilidade de não ouvir a voz dela novamente fosse bem mais real do que realmente era. E após por o fone no gancho, eu quase sentia as lágrimas escorrerem de saudade. Teve ocasiões em que não tive forças para conte-las, tamanha a dor em meu peito.
Eu não sei o que teria sido da gente, se algo viesse a atrapalhar e causar o nosso primeiro rompimento. Eu não sei dizer como isso foi acontecer; não sei se foi causado por um único fator, ou por uma série de fatores; ou se, dadas às circunstâncias, isso era inevitável. Eu só sei que de um momento para outro, aquela paixão, aquele amor experimentado ao extremo, foi cedendo lugar à outra paixão. E por algum tempo e pensei que Diana fazia parte do passado, de uma lembrança inesquecível, de algo que não fazia mais parte de meus planos.
Mas eu estava completamente enganado...

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