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Roteiro_de_Filme_ou_Novela-->ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 23 -- 09/07/2006 - 11:49 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 23


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23


Luciana me fitou de cima abaixo com um olhar atento, como se quisesse atentar a cada detalhe. Assim, meu excitamento não lhe passou despercebido.
-- Nossa! Ele ainda está assim? – disse, deixando escapar um sorriso indefinido.
“Pronto! Só falta ela descobrir que estou assim por causa da Ana Paula. Não. Ela não pode desconfiar. Também. Por que você não fica pequeno logo? Por que que tem que ficar duro desse jeito?”, pensei, tornando-me ainda mais envergonhado.
-- Tá sim. Mas já está ficando quieto – respondi.
Nisso. Luciana se aproximou e parou bem a minha frente.
A água nos cobria pela cintura. De quando em quando uma onda vinha e então nos cobria até o pescoço, mas quando passava, a maré abaixava e então deixava nossos quadris descobertos.
-- Me deixa ver como ele está – pediu ela. Aliás, foi como se me desse uma ordem, se mandasse eu abaixar a sunga. Mas não cheguei a fazer isso, pois ela não me deu tempo. Simplesmente levou a mão à peça de roupa que me cobria as partes pudicas e a empurrou para baixo o suficiente para expor meu branco falo ereto.
“O que ela quer? O que ela vai fazer comigo? Ela não está pensando em fazer aquilo...”
-- Que bonitinho ele assim dentro d’água – exclamou ela, pegando-o delicadamente com as pontas dos dedos. Em seguida empurrou o prepúcio e fez a glande soltar para fora.
-- Pare! – pedi, afastando os quadris e puxando a sunga para o lugar. – Aqui não. Senão elas podem ver. Outra hora eu deixo.
-- Eu só queria ver como ele estava – acrescentou ela insatisfeita.
Não dei importância. Dei um mergulho e em seguida fui saindo.
Embora a tivesse deixado para trás, ela me acompanhou a distância. E antes de chegar à cabana gritou:
-- Estou morrendo de fome. Não é melhor a gente procurar alguma coisa para comer?
-- É. Eu também estou com fome – respondi. -- Vou ver com as meninas se querem apanhar frutas – acrescentei. “É melhor eu levar a Marcela ou a Ana Paula comigo. Não vou deixar as duas sozinhas por enquanto. Nossa! Minha barriga está até doendo de fome. Senão a Ana Paula pode contar alguma coisa”, pensei enquanto entrava na cabana. Olhei para as duas. Estavam conversando. No entanto, quando me viram, silenciaram-se. Ao perceber isso, senti um calafrio percorrer-me o corpo. “Será que Ana Paula estava contando para ela? Ah, mas se ela contou vou dar nela”, pensei sentindo a raiva me dominar. Assim, fitei-as nos olhos. “Não. A cara delas não parece. Talvez elas estivessem falando de outra coisa. É melhor perguntar alguma coisa”.– Ta tudo bem com vocês?
-- Ta. – respondeu Marcela. – Pó que não ia estar?
-- Não. Por nada – falei. “É. Ela não falou nada. Mas é melhor não ariscar. Nossa! A Marcela está tão bonita. Ia adorar beijar aquela boca. Vou chamar ela para ir comigo. Quem sabe, quando a gente estiver só eu consiga agarrar ela. Não. Não quero ficar pensando nessas coisas. Senão vou ficar...”.
Eu sabia que esses pensamentos só me ocorriam por causa do que me acontecera momentos antes. Se a Luciana não me tivesse excitado, eu não estaria agindo dessa forma. Mas eu era um menino. E não sabia como controlar meus impulsos. Eu tentava não ficar pensando em sexo, não ficar desejando ora um ora a outra, mas nem sempre isso era possível. Às vezes, tentava pensar em outra coisa, pensar nos meus pais preocupados com o nosso desaparecimento, pensar no meu tio que morrera afogado quando a lancha naufragou com a gente, mas não conseguia manter esses pensamentos por muito tempo. Era só descuidar um instante e meus pensamentos recaiam em atos impuros com aquelas meninas naquela ilha perdida no oceano.
-- Precisamos apanhar algumas frutas – afirmei. – Vocês não estão com fome?
-- Claro que estamos – assentiu Marcela.
-- Vem comigo. Vamos apanhar alguma coisa para comer – falei. “Ela não vai recusar. Aí quando a gente estiver sozinho. Vou pegar na mão dela. Vou abraçar ela. E a gente vai se beijar. Aí...”
Marcela se levantou. Abanou as nádegas para remover a areia e disse:
-- Então vamos.
-- Eu também vou – declarou Ana Paula, levantando-se também.
Nisso Luciana chegou.
-- Aonde vocês vão? – perguntou, embora soubesse.
-- Apanhar alguma coisa para comer – falei. “Mas só eu e a Marcela. Vocês duas vão ficar. Quero ficar sozinho com ela”. – Vamos Marcela. Vocês duas fiquem aí. Aproveitem e coloque mais um pouco de lenha na fogueira que ela está começando a se apagar.
-- Eu também vou – adiantou-se Ana Paula.
-- Não. Você fica – ordenei.
-- Mas eu não vou ficar aqui sozinha com ela. Você sabe que eu odeio essa va...
-- Calada – interrompi. – O que eu conversei com você agora a pouco? – falei de forma enérgica, apontando o dedo para ela.
-- Não fale assim com ela – pediu Marcela.
-- Eu não fiz nada – esquivou-se Luciana, denotando sarcasmo.
-- Sua falsa – disse Ana Paula.
-- Já mandei você se calar. Será que não consegue ficar um minuto sem arrumar confusão? – Virei para Marcela. – Ela sabe por que estou falando assim com ela.
Houve um breve silêncio. Ana Paula olhou para Marcela e depois abaixou a cabeça. Luciana virou o rosto em direção à porta, como se evitasse olhar para Ana Paula. Marcela olhou para as duas e depois para mim. Era como se ela procurasse entender o que se passava entre eu e minha prima. Ao vê-la com aquele olhar interrogativo, conclui: “Ana Paula não contou nada para ela. Senão ela não estaria com essa cara. Melhor assim”.
-- Luciana, por que você não vai apanhar alguns galhos pra por na fogueira enquanto a gente vai buscar algo para comer? Enquanto isso, a Ana Paula fica aqui, tomando conta da fogueira – sugeri. Na realidade, só queria evitar que as duas ficassem por muito tempo juntas.
-- Por que eu? – protestou ela.
-- Porque você é a mais velha. Por favor. Não vamos ficar criando problemas. Já temos problemas demais. Vocês não acham?
Todas se entreolharam novamente. Depois me fitaram. “Melhor assim. Senão não sei o que vai ser da gente. Preciso tomar cuidado pra não ficar provocando briga entre elas”.
-- Tá bom né – disse Luciana ao sair da cabana pisando firme. Via-se um quê de insatisfação em seus modos. No entanto, Ana Paula deixou escapar um discreto sorrio, como se experimentasse certo deleito íntimo por ver a outra contrariada.
-- Vamos, Marcela – falei, indo em direção à porta. – E não quero saber de confusão entre vocês duas, heim.
Demos alguns passos. Todavia lembrei-me: “É melhor voltar e pegar a faca de pedra. Vai que a gente precisa cortar alguma coisa”.
-- Espera um pouquinho – pedi. – Vou voltar para pegar a faca de pedra. – Virei para o outro lado e sai correndo.
Ana Paula estava sentada no chão, com as pernas dobradas, os braços em volta e a cabeça apoiada sobre os joelhos, como se olhasse para dentro de si. Entrei e falei:
-- Vim pegar a faca. Posso precisar dela.
Ana Paula levantou a cabeça e olhou em minha direção. Seus olhos estavam vermelhos e cheio de lágrimas. Chorava. “Mas o que é dessa vez?”, perguntei-me, “Será que não sabe fazer outra coisa a não ser chorar e brigar?”
-- O que foi? – perguntei com irritação.
-- Nada.
-- Como nada? Então por que você está chorando? – Aproximei-me e agachei a sua frente.
-- Ninguém aqui gosta de mim. Vocês só ficam brigando comigo. Queria estar na minha casa agora. – Nisso, ela começou a soluçar e o choro tornou-se mais intenso. – Tô com saudade da minha mãe – acrescentou com dificuldade, pois o soluço a impedia de falar com desenvoltura.
Levei a mão até seus braços, desvencilhei-os e a abracei. A posição incômoda dificultava o nosso abraço; no entanto, era preciso confortá-la. “Eu também estou. Meus pais. Eles devem estar desesperados a procura da gente. Três dias que sumimos.” Ao lembrar de meus pais, também me senti entristecido. Por um momento, quase deixei escapar gotas de saudades. Mas me contive. “Não posso chorar agora. Senão aí é que ela vai chorar mais ainda.”
-- Vai. Pára de chorar. A gente vai sair daqui em breve. E aí a gente vai poder matar a saudade. – Dei um sorriso, tentando fazê-la sorrir. – Já pensou? A família toda reun. – Não cheguei a pronunciar a última palavra toda, pois me lembrei de meu tio. “Coitado do tio Jamil. E quando a tia souber que ele morreu? Ah, meu deus!”
Não sei se foi a inexperiência por não saber confortar as pessoas, só sei que não deveria ter-lhe dito aquelas palavras. A verdade era que Ana Paula era a única que, ao voltarmos para casa, não ia encontrar a família completa. Seu pai não estaria a sua espera. “Ela deve estar sofrendo muito. Coitado do tio. Morrer dessa forma. É. Preciso ser mais paciente com ela. Vai ver que é por isso. Ela está assim: revoltada, brigando com todo mundo.”
Com muito custo, consegui confortá-la. Nisso, Marcela retornara devido a minha demora.
-- O que aconteceu com ela? – perguntou, quando chegou.
-- Saudades de casa. E por causa do tio também – expliquei. – Mas agora ela já está melhor. Não é verdade?
Ana Paula meneou a cabeça afirmativamente e esboçou um sorriso forçado, contido.
-- Fica assim não – pediu Marcela. – Vai dar tudo certo.
Ana Paula tornou a balançar a cabeça em sinal de concordância.
-- A gente já volta – falei ao me levantar. – Só vamos apanhar algumas bananas pra matar a fome.
Peguei a faca de pedra sobre um monte de areia e saímos.



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