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Contos-->DIÁRIO DO DR. MATHIAS - PARTE 1 -- 22/10/2013 - 19:44 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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ADVERTÊNCIA:
O que se publica aqui na íntegra são anotações encontradas pela polícia de Juiz de Fora quando invadiu a residência do Dr. Mathias e libertou vários jovens, mantidos prisioneiros por mais de 2 anos. São vários cadernos. Não é possível precisar exatamente quantos eram. Quatro destes foram achados, mas haviam pelo menos mais três, cujo paradeiro ainda é desconhecido. A maioria das anotações não estão datadas, o que não nos impediu de precisar quando foram escritas embora uma pequena minoria não pode ser datada. Essas anotações, que formam uma espécie de diário, seguem uma ordem cronológica. Iniciam-se com um plano para sequestrar jovens a fim usá-los como escravos sexuais. Algumas passagens são assustadoras e descrevem em detalhes raptos, torturas, violência sexual e mutilação genital, o que nos leva a crer que se trata de alguém a quem podemos chamar de monstro, apesar de aparentar ser uma pessoa completamente normal.
****************

Há anos que esse desejo vem me atormentando. Nunca pensei em pô-lo em prática por causa da minha esposa e dos filhos. Mas agora que me tornei uma persona non grata na minha própria família, essa ideia poderia ser levado a cabo. É um plano complexo e precisa ser muito bem pensado. Nada pode dar errado. Se der eu seria preso e passaria muitos anos na cadeia. Vou refletir e ver se realmente vale a pena pô-lo em prática.

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Sou um fora da lei. Eis a verdade! Não posso mais exercer a minha profissão. Muitas suspeitas recaindo sobre mim. Não sei como fui me descuidar com aquele garoto. Não o sedei suficientemente. Era para ele não se lembrar de nada como os outros. Mas ele se lembrou. Pelo menos aquelas outros nunca ficaram sabendo de nada do que fiz. Talvez sentissem algum desconforto depois, mas não sabiam a causa. Nossas horas a ingenuidade é o maior aliado. O ruim é as limitações. Nunca pude fazer a décima parte do que gostaria. Não podia arriscar demais. Tantas possibilidades. Mas nem isso agora. Como saciar esse desejo que a cada dia se torna mais intenso, mais forte? Sinto que mais cedo ou mais tarde vou perder o controle. Um rapto? Talvez aprisionando uma jovem, tendo-a a minha disposição por tempo ilimitado, para satisfazer essa vontade incontrolável. Isso acabaria com essa inquietação crescente, com esse desespero que quase me deixa louco. Mas para isso, precisaria de uma casa num lugar isolado numa cidade do interior, longe dos grandes centros urbanos. De fato, preciso encontrar um lugar para morar. Não posso viver num hotel para sempre. Mas manter um prisioneiro por tanto tempo não é coisa tão simples. Há sempre o perigo de fuga e eu de ser preso.

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Tive algumas ideias nos últimos meses. Por isso é bom anotá-las para estudá-las melhor depois. Vá que eu resolva pô-las em prática. Ai, mais cedo ou mais tarde vou ter de tomar uma decisão.
a) Uma casa com um porão bem grande, o qual serviria de morada para a prisioneira. Talvez até mais de uma. Quem é capaz de raptar uma pessoa é capaz de raptar duas. Ou até um garoto. Por quê não? Às vezes, sinto mais prazer com ele. São em porões que normalmente as pessoas são mantidas prisioneiras.
b) Alguma cidade do interior do Paraná, Minas Gerais, Bahia ou Centro-Oeste. O sul é muito frio e em compensação o Nordeste é quente demais. Não me adaptaria facilmente a esses lugares.
c) Local afastado, de difícil acesso e sem vizinhos por perto. De preferência alguns quilômetros de distância. Isso evita os bisbilhoteiros.

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Existem algumas dificuldades que não posso negligenciar.
No caso de manter um prisioneiro, como fazer para viajar? Deixá-lo trancafiado? Como ele se alimentará caso eu fique dias fora? Não posso deixar que morra de fome ou sede. Isso seria crueldade demais. E se ele conseguisse fugir na minha ausência? Certamente ele tentaria, por mais idiota que seja. Qualquer um tentaria. E se alguém viesse à minha casa? Sem uma solução para isso, não há como persistir na ideia. Melhor encontrar outro meio. Talvez pagar por uma jovem. Sempre se encontra meninas ou até garotos dispostos a se deitar com um homem como eu por um bom dinheiro. Afinal, nos dias de hoje o dinheiro compra tudo, inclusive a vida; e por um preço irrisório.

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Nos últimos dias aquelas perguntas me deixaram de cabelo em pé. Ou eu não poderia me ausentar por mais de um dia, ou teria de arrumar um cúmplice que pudesse tomar conta da casa e do prisioneiro (talvez de mais um prisioneiro. Por que não? Quem mantém um pode manter dois ou até mais) na minha ausência. Em que condições alguém se sujeitaria a ser meu cúmplice? Nova questão a ser resolvida.

–--------

[início de março de 1981]
Estou no Rio de Janeiro para o Carnaval. Li no Globo a notícia do desaparecimento de duas jovens, uma de 13 anos e a outra de 14. A polícia acredita que pode ter sido obra de traficantes. Mas e se não foi? É muito fácil culpá-los por tudo! Talvez alguém assim como eu as tenha raptado. Não sou exceção. Há muitos iguais a mim, que tem essa necessidade, esse gosto peculiar pelo frescor da inocência e da juventude e não consegue viver sem experimentá-lo de vez em quando. Quando ainda exercia a profissão de médico, essas oportunidades não me faltavam. Mas agora... E se eu sequestrasse uma jovem e levasse para uma outra cidade? A polícia não culparia os traficantes? Vez ou outra, eles raptam, matam e desaparecem com os corpos. Não chegariam nunca a mim. Os casos mais emblemáticos são deixados de lado. Os Hercules Poirot e Sherlock Holmes só existem na ficção. Só não deixar pistas e – o mais importante -- escolher vítimas que não chamem muito a atenção. Tá aí uma ideia interessante. Uma jovem do Rio de Janeiro. Ou até de outra cidade bastante populosa. Outro detalhe de grande importância: (tenho de lembrar disso depois) onde há tantas cidades grandes mais e menos próximas umas das outras? No eixo Rio – São Paulo. Portanto os raptos devem acontecer nessa região.

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Ocorreu-me duas coisas ontem à noite:
1) para não chamar a atenção da imprensa, a vítima terá de ser oriunda da classe humilde. Nesses casos nem mesmo as autoridades dão importância. A justiça é igual para todos, menos para os pobres e miseráveis;
2) De preferência que tenha muitos irmãos. Isso, causa menos dor nos familiares e menos pressão nas autoridades. Se o filho único desaparece os pais farão de tudo para encontrá-lo; mas se tem muitos filhos, a coisa muda de figura.
Se for levar isso a cabo mesmo, não posso esquecer de mais esse detalhe. São justamente esses pormenores que são negligenciados pela maioria e os quais levam ao fracasso da empreitada.

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Depois de uma semana no Rio, resolvi passar uns dias em Petrópolis. É uma cidade magnífica. Cheira a nobreza em cada esquina. O pneu furou em frente a uma escola. Enquanto aguardava a chegada de um mecânico, pude observar os jovens saindo. Duas meninas, aparentando uns onze anos, passaram por mim e ficaram do outro lado da rua conversando alegremente. Uma delas quase me levou ao desespero. Tanto frescor e sensualidade em tão pouca idade. Fui tomado por um incontrolável desejo de posse. “Por que não pegá-la para mim? Raptá-la?”, inquiri-me por mais de uma vez. Não consegui evitar fantasias com ela. Foi uma visão magnífica. Por pouco não perdi a cabeça e fiz uma besteira. Senti um frêmito, um impulso muito forte no sentido de raptá-la, levá-la a um matagal ou a uma rua deserta e violentá-la. Por sorte consegui controlar os impulsos. Mas até quando? Sinto que não por muito tempo. Essa vontade incontrolável a cada dia fica mais intensa. Ah, se ela pudesse ser minha! Seriam tantas as experiências! Um mar de possibilidades. Passaria dias e dias perdido naquele corpinho jovem e bebendo daquela seiva. Viveria inebriado por um bom tempo.

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Não tenho para onde ir. Qualquer lugar é o meu lar. Poderia ter ficado mais uns dias em Petrópolis, mas me sentia tentado a cometer um crime por causa daquela jovenzinha. Por três dias, eu a observei ao sair do colégio. Sinto-me inflamado quando a vejo. Cheguei até mesmo a segui-la até sua casa, se é que pode chamar aquilo de casa: uma casinha simples, quase desprezível. Se tivesse onde prendê-la eu a teria raptado. E não teria tido a menor dificuldade. Parece tímida e certamente não ofereceria resistência. Preferi deixar a cidade. E sem rumo vim parar em Juiz de Fora. Bela cidade. Gente bonita também. Ao andar pelo calçadão, no centro da cidade, cruzei com algumas jovens um tanto peculiares. Estou pensando em passar umas semanas aqui.

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Folheando um jornal mais cedo, deparei com um anúncio que me chamou deveras a atenção. Tratava-se da venda de um sítio nas proximidades do distrito de Santa Paula. Não faço a menor ideia de onde fica esse lugar, mas não deve ser muito distante daqui. Fiquei tentado a visitar o local. Dinheiro não é problema. Tenho muitas aplicações financeiras em nomes de laranjas - pacientes pobres que assinam qualquer papel que lhes pedimos. Por causa do fisco e desse meu gosto pelo proibido, aplicava a maior parte de minhas economias em nome de terceiros, muitos meus pacientes. Posso resgatar algumas delas e comprar esse imóvel. Antes, vou me informar aonde fica, mesmo que por pura curiosidade.

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Acabei entrando em contato com a imobiliária. Depois de amanhã vou visitar o sítio. Eles me deram algumas informações bastante interessantes.
a) É uma casa ampla com quatro quartos e uma casa de caseiro;
b) Fica no alto de um planalto e cercada por densa vegetação;
c) Não há vizinhos por perto.

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O imóvel superou minhas expectativas. Há apenas um acesso e a casa fica bastante isolada. Ainda sim estou em dúvidas. A compra desse imóvel certamente me levará cometer atos dos quais me arrependerei no futuro. Sei do que sou capaz. Sinto-me impelido a comprá-lo, como se tivesse uma força me atraindo. Mais cedo, enquanto tirava um cochilo após o almoço, acabei caindo em devaneios. Imaginei aquela jovenzinha vivendo comigo naquela casa, dormindo em meus braços todas as noites, depois de fazermos amor. Quase posso ouvir meus gemidos enquanto gozo nela. Eu me vejo adormecer em cima daquele corpinho jovem, meu corpo unido ao dela através daquele ânus estreito. Ontem, para conseguir adormecer, tive de levantar no meio da noite e me masturbar. Um homem da minha idade, um cinquentão, se masturbando desse jeito, feito um garoto de 16 anos! Ora, bolas! Mas não deixa de ser uma fuga, uma forma de evitar que se perca a cabeça e cometa uma insanidade. Talvez, se fizesse isso mais vezes e conseguisse me contentar, não cometeria esses atos condenáveis. Mas não consigo. Já perdi a cabeça outras vezes. Como abusar daquele garoto enquanto a mãe inocentemente aguardava na sala ao lado, ou quando abusei de meu filho embaixo do chuveiro enquanto a mãe dele e minha esposa fazia sala para as visitas. E isso me trouxe graves transtornos e levou ao fim do meu casamento. Aliás, aprendi uma coisa com isso: não perder a cabeça jamais.

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Pensei em deixar Juiz de Fora e esquecer tudo isso. Estou prestes a cometer mais uma loucura. E já tenho problemas com a justiça por causa daquele garoto. Uma nova acusação certamente me levaria para a prisão, uma vez que quanto mais evidências mais certeza se tem. Mas não tive forças. É como se eu tivesse dominado por uma força sobre-humana. Conheço essa sensação. Foi a mesma que me levou a fazer aquelas coisas com meu filho e com aqueles pacientes. Enfim... Fiz uma proposta. Pagamento à vista. Acho que ele vai aceitar. Aliás, mais cedo ocorreu-me algumas ideias:
1) Ampliação do porão. Daria para deixá-lo com um espaço tão grande quanto à própria casa. Isso pode ser útil para que ela possa ficar mais confortável. É possível até que mais jovens venham a morar lá. Por que não? Um garoto, quem sabe. Não sei se contentarei só com uma menina. Há prazeres que só os meninos podem dar. Sei muito bem disso.
2) Trocar as cercas de arame por muros altos. Isso dificulta a aproximação de curiosos e impede a fuga, embora vou mantê-los tão presos que não terão a menor chance de escapar.
3) Sistema de vigilância por câmeras. Isso é essencial. Principalmente por causa dos visitantes indesejáveis.

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Conversei pessoalmente com o proprietário do sítio. O motivo da venda é financeiro. A esposa está com câncer e ele precisa do dinheiro para o tratamento dela. É um desperdício. Ela vai morrer de qualquer jeito! Para que desfazer os bens por algo que não dará em nada? Por uma questão moral? Por um descargo de consciência? Quem se importa com a consciência? Com o que é imoral ou não? Só os fracos e idiotas. Melhor deixá-la morrer logo! Estará lhe fazendo um favor, aliviando-lhe o sofrimento, isso sim! Não se deve lutar pela vida quando ela está nos abandonando. É inútil e ultrajante. Bom, isso é problema dele! O importante é que aceitou minha proposta. A compra será concretizada em dois ou três dias. Isso é o que importa.


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