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Roteiro_de_Filme_ou_Novela-->ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 29 -- 28/04/2007 - 16:04 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 29


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29


Chegamos a cabana poucos minutos depois. Ana Paula e Marcela conversavam e sorriam. Tive a impressão de que uma contava algo engraçado à outra. Elas haviam limpado o peixe. Estava espetado no mesmo lugar, porém sem escamas e sem cabeça.
Quando nos viram, tornaram-se sérias e nos encararam. Então Marcela perguntou:
-- O que foi?
-- Nada – respondeu Luciana de forma carrancuda, dirigindo-se à um canto e sentando-se.
-- O que deu nela? -- tornou a perguntar Marcela, agora se dirigindo a mim.
-- Sei lá! -- exclamei, sacudindo os ombros. E para mudar de assunto, perguntei:
-- E o peixe?
-- Já limpamos – afirmou Ana Paula. -- Agora só falta assar.
-- Vou enfiar ele na fogueira – expliquei. Apanhei a vara onde jazia o peixe espetado e com muito cuidado o coloquei no fogo para assar.
Aguardei.
Enquanto isso, Marcela e Ana Paula saíram e foram em direção ao mar, deixando-me as sós com Luciana.
-- Me desculpe – falei aproximando-me dela. -- É que fiquei com muito medo daquele barulho. Talvez seja só cisma minha, mas acho que tem alguma coisa nessa ilha.
-- Tudo bem, deixa prá lá – respondeu um tanto contrafeita.
-- Não quero assustar ninguém, mas estou começando a ficar com medo.
Talvez não devesse ter confessado meus temores, pois isso expunha minhas fraquezas e de certa forma me deixava ainda mais vulnerável àquela jovem, aos seus caprichos que a cada dia afloravam de forma mais intensa, como se ela tive consciência do seu poder e desejasse exercê-lo. Talvez ela não se apercebesse disso, mas cedo ou mais tarde daria conta e então já teria em suas mãos a única pessoa capaz de fazer-lhe frente: eu.
-- Mas foi só um barulho – exclamou ela.
-- Não foi só isso – asseverei. -- Sinto que tem alguma coisa. Pode até ser algum animal, mas que tem tem. Isso eu posso te garantir.
-- Então porque a gente não vai dar uma olhada? -- sugeriu.
“E agora? O que faço? Se disser não ela vai saber que estou morrendo de medo e vai me chamar de fracote, de medroso. Vai contar para as meninas e aí elas vão ficar rindo da minha cara. Não, isso não! Não posso deixar que a Marcela pense isso de mim”, conclui.
-- Agora?
-- E por que não?
Senti o coração palpitar mais forte, como se o medo quisesse me dominar. No entanto, não deixei transparecer.
-- Deixa as meninas voltarem. Ai a gente come o peixe e depois a gente vai.
Luciana assentiu. Disse inclusive estar um pouco faminta. Então aproveitei para dar uma olhada no peixe a fim de ver se estava assado. Não estava no ponto, embora exalasse um cheiro agradável.
Ana Paula e Marcela não tardaram. Continuavam alegres e falavam e sorriam. Nada fazia lembrar aquele clima de tristeza de mais cedo, quando a saudade arrancara lágrimas do coração da caçula.
-- Chegaram na hora. O peixe está assado – asseverei retirando-o do fogo.
Sentamos em círculo e por alguns momentos esquecemos as diferenças. Dir-se-ia ter surgido um clima de harmonia devido aquele alimento, como se a ceia tivesse um quê de sagrado. E embora o peixe não fosse assim tão grande, foi o bastante para saciar nossa fome. Não houve um que reclamasse do sabor, da falta de temperos e de sal.
-- Por que você não tenta pegar outro, primo? -- perguntou Ana Paula.
-- Vou tentar mais tarde. Agora eu vou com a Luciana dar uma olha por aí. Escutei um barulho esquisito quando fui atrás dela. Talvez seja só um animal ou coisa parecida. Mas é melhor verificar.
Ana Paula e Marcela me fitaram com olhar desconfiado, entretanto não fizeram comentários. Levantaram em seguida e tornaram a ir em direção à água, provavelmente para lavar as mãos.
Luciana levantou-se e, como se me chamasse para um passeio, disse:
-- Vamos.
-- É melhor levar esta vara – falei, pegando a vara que usara para pescar.
-- O que foi? Ta com medo?
-- Não – respondi. – É só por precaução.
Saímos.
Embora não quisesse admitir, estava sim morrendo de medo. Uma sensação me dizia que poderíamos encontrar algo capaz de tornar nossa estada naquela ilha um inferno, a ponto de cometermos os mais terríveis disparates. “Meu deus! Espero que não seja nada demais. E se for algum monstro ou alguma coisa do outro mundo? E se ele quiser pegar a gente para comer? Não, meu Deus, não deixa isso acontecer com a gente! Não quero ser devorado. Quero voltar para casa, quero ver meus pais, meus irmãos. Estou morrendo de saudades deles”, pensei no instante em que saía da cabana. Alguns passos adiante, tornei a pensar: “Por que ela insiste tanto em ir atrás? Não seria melhor a gente não saber o que é? Se for alguma coisa só vai deixar a gente mais apavorados ainda... Mas e se não for nada? Eu vou ter ficado com medo à-toa. Não, nada não é. Eu não estou maluco. Eu sei que ouvi alguma coisa”.



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