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Roteiro_de_Filme_ou_Novela-->ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 42 -- 31/07/2010 - 22:35 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 42


ÍNDICE
Capítulo(01) Capítulo(02) Capítulo(03) Capítulo(04) Capítulo(05) Capítulo(06) Capítulo(07) Capítulo(08) Capítulo(09) Capítulo(10) Capítulo(11) Capítulo(12) Capítulo(13) Capítulo(14) Capítulo(15) Capítulo(16) Capítulo(17) Capítulo(18) Capítulo(19) Capítulo(20) Capítulo(21) Capítulo(22) Capítulo(23) Capítulo(24) Capítulo(25) Capítulo(26) Capítulo(27) Capítulo(28) Capítulo(29) Capítulo(30) Capítulo(31) Capítulo(32) Capítulo(33) Capítulo(34) Capítulo(35) Capítulo(36) Capítulo(37) Capítulo(38) Capítulo(39) Capítulo(40) Capítulo(41)

42


-- O que aconteceu? -- perguntou Luciana. -- Tá com a cara de quem viu fantasma.
De fato eu estava muito amedrontado. No entanto, não tive coragem de confessar a verdade. Ela não acreditaria e ainda ficaria caçoando de mim e me humilhando como gostava de fazer – aliás, como gostam de fazer todos aqueles que para manter o controle sobre o outro procura humilhá-lo e rebaixá-lo para que este se sinta impotente e conforme mais facilmente com a sua condição. Desta feita, preferi responder:
-- Nada não. É que vim correndo e estou cansado.
Se acreditou ou não não sei dizer, pois parecia por demais preocupada com a lesão no pé. Quis apenas saber minha opinião acerca dos benefícios de enfaixá-lo com folhas de bananeira.
-- Você acha que vai ajudar a sarar mais rápido?
-- Acho. Quando a gente se machuca o médico não manda enfaixar? Então? É pra sarar logo.
Esse diálogo, que prosseguiu em torno da gravidade e do tempo de recuperação daquela lesão, findou com a chegada de Marcela e Ana Paula. Elas vinham alegremente falando de algo que suspeitei estar relacionado a mim, pois, ao me avistarem, súbito silenciaram com uma expressão de surpresa no rosto, como se não esperassem me encontrar ali.
-- Uai! Já voltou? -- disse minha prima.
-- Não. Tô lá ainda! -- exclamei. A minha resposta arrancou uma gargalhada de Luciana, a qual em tom provocativo acrescentou em seguida: -- Idiota! Se ele está aqui é porque chegou né!
-- Idiota é você, sua imprestável, que tá aí entrevada...
Antes que ela terminasse a frase, intervi:
-- Vão parar as duas. Já não temos problemas demais aqui para vocês ficarem arrumando mais? -- indaguei. Embora tenha sido o culpado por aquele princípio de tumulto, a inimizade entre Luciana e Ana Paula só colocou mais lenha naquela fogueira por demais incendiária.
Silenciaram-se.
Eu não sabia como enfaixar o pé de Luciana, ainda mais que o material usado não era o adequado e qualquer toque provocava-lhe muita dor. Desta feita a contribuição de Marcela foi por demais útil, embora, a medida em que o enfaixava, Luciana, apesar de gemer de dor o tempo inteiro, também explicava como melhor pôr-lhe as ataduras. Aliás, foi uma tarefa dificultosa, onde tive de executá-la com uma delicadeza e paciência incrível, coisa que não estava acostumado a fazer, pois, embora fosse um garoto tímido, a delicadeza, muitas vezes encontrado em pessoas assim, não fazia parte das minhas qualidades.
-- Pronto – disse após dar um nó para prender os pedaços de folha na canela. Embora o trabalho não tenha ficado lá essas coisas, percebia-se um resultado razoável, capaz de se não resolvesse o problema pelo menos imobilizaria em parte o pé contribuindo assim para uma recuperação mais rápida.
-- Ufa! Ainda bem. Já não aguentava mais – exclamou ela.
-- Isso vai te ajudar a recuperar depressa – disse Marcela levantando-se, que até então permanecera agachada ao meu lado. -- A gente não sabe quando vamos ser resgatada.
-- Se é que vamos – obtemperou Luciana.
-- Claro que vamos. E não vai demorar – declarou Ana Paula que, devido à inimizade com Luciana, mantinha-se recostada à entrada da cabana assistindo com certo deleite o sofrimento da outra.
-- Espero que você esteja certa – falei, -- porque eu lá tenho as minhas dúvidas.
Houve um pequeno debate onde a posição de cada um de nós ficou bem clara. Eu e Luciana éramos partidários de que as buscas por nós haviam cessado enquanto que Ana Paula não aceitava isso e insistia que estavam a nossa procura e que seríamos encontrados em mais dois ou três dias. Marcela por outro lado mantinha uma posição dúbia. Ora concordava comigo e Luciana, ora apoiava a posição de Ana Paula. Aliás, com o passar dos dias acabou aceitando que tanto eu quanto Luciana estávamos com a razão.
Aliás, nesse ínterim esqueci por completo o incidente de mais cedo, o qual me levou a retornar para a cabana com o coração escapando pela boca. No entanto, quando Marcela e Ana Paula anunciaram algum tempo depois que dariam uma volta pela ilha, a lembrança daquele som que eu não sabia do que se tratava veio-me à memória e, como ocorrera ao ouvi-lo, um filete de gelo percorreu-me a espinha. E se não fosse isso talvez teria acompanhado as duas, mas faltou-me coragem. Assim permaneci quieto e compenetrado em meus pensamentos.
Partiram.
– O que foi? Você parece meio esquisito – quis saber Luciana, deitada a minha frente, pois ainda permanecia agachado ao lado do pé lesionado.
– Nada não.
– Como não? Pensa que não te conheço? Vai. Não seja bobo. Desembucha logo – insistiu, fazendo esforço para sentar.
Relutei em contar. Contudo, mesmo impossibilitada de se mover, Luciana exercia poder sobre mim, talvez porque eu já começava a me acostumar com aquela condição. Assim, não me restou outra alternativa a não ser contar-lhe.
– Mas você com essa história de novo! Nós já não demos uma volta por aí e não achamos nada?
Anui.
– Então? Isso é fruto da sua imaginação, só isso! Você só se assustou da primeira vez e agora qualquer barulho te deixa com medo. Vem cá, meu bebezinho – disse ela estendendo um dos braços e pegando-me na mão. – Não precisa ficar com medo – acrescentou. Pensei em recusar, no entanto suas palavras exerciam um poder sobre mim feito o canto de uma sereia, o que me acabou puxando para ela. Súbito estava nos seus braços feito uma criança assustada no colo da mãe. – Eu não vou deixar que nada te aconteça.
Por um momento eu realmente me senti confortado. E embora aquela lembrança me continuava viva na memória, nos braços de Luciana, com o rosto colado nos seus seios, ela não me parecia mais tão assustadora. Aliás, cheguei até mesmo a duvidar que houvesse escutado algum som estranho. Talvez eu tenha me enganado e sob a influência do medo tenha imaginado tudo aquilo. No entanto eu não estava certo de nada. Possivelmente, quando estivesse sozinho, não seria da mesma opinião e então meus temores me causariam novos calafrios e voltaria estar convencido de que havia alguma coisa naquela mata a nos observar.
– Vem cá. Deita aqui do me ladinho – pediu ela. – Quero te abraçar. Me sinto tão sozinha e abandonada nesse estado. Você não faz ideia. É horrível não poder sair por aí como aquelas duas – começou ela a se lamentar. – Pelo menos a gente se distraia um pouco, não ficava pensando nos nossos familiares e não sentiria tanta falta de casa. Eu me sinto como um animal preso, enjaulado. Ah, meu anjo! É tão horrível. – Era a primeira vez a ouvi-la me chamar assim, de forma tão carinhosa e com uma ternura que me tocou o coração. Senti pena dela e naquele momento esqueci por completo não só tudo que me fizera como também as ameças com relação à Marcela. – Ainda bem que tenho você para me ajudar a suportar tudo isso. Quando você está assim nos meus braços eu me sinto a mulher mais feliz e poderosa do mundo.
Ergui a cabeça e olhei nos seus olhos. Brilhavam. Por um momento achei que ela fosse chorar, todavia abaixou a cabeça e aproximou seus lábios dos meus, beijando-me ardentemente. Confuso e impotente, pois não esperava aquele tipo de reação por parte dela, só não deixei-a me beijar como correspondi ao beijo, abraçando-a fortemente.
Foi um erro, um erro gravíssimo. Mas como evitá-lo. Era um garoto bobo, inexperiente, muito aquém da esperteza dela. Como eu poderia saber que por trás daquelas belas e comoventes palavras havia uma segunda intenção. Hoje eu sei que muitas mulheres fazem esse jogo porque é uma das formas mais eficientes de enganar o homem, pois estes se iludem facilmente como tais palavras, achando que têm o dever de amparar o sexo frágil. Embora sem condições de sair daquela cabana sozinha, Luciana sabia como poucas me manter no cabresto. Aliás, essa é a única explicação para eu não tê-la deixado ali, sozinha, quando, aproveitando que estava em seu poder, levou-me a mão à suga e empurrando-a para baixo, disse com naturalidade:
– Deixa eu ver como está o meu brinquedinho. – Pegou-me no pênis encolhido e acrescentou: – estou com saudades de você. Quando eu estiver melhor a gente vai brincar muito, muito mesmo.
Tentei puxar-lhe a mão e cobri-lo novamente. No entanto, ela disse: – Não, não. Ele é meu e brinco com ele o quanto eu quiser. E se eu desconfiar que você andou deixando uma daquelas vadiazinhas tocar nele, eu arranco ele com uma mordida.
Senti medo. Fiquei amedrontado, tão amedrontado quanto ficara ao ouvir aquele som vindo da floresta. Porém o medo não era de um castigo divino ou coisa parecido, mas por temer não só pelo meu futuro como pelo de Marcela e Ana Paula naquela ilha, se por ventura precisássemos ficar ali por muito tempo, pois mais cedo ou tarde acabaria despertando a fúria dela. Assim, tomado pela impotência, deixei que ela continuasse.
– Faz ele ficar grande – pediu.
– Para quê? Você não pode fazer nada – argumentei.
– Não importa. Quero ver ele grande. Não gosto dele assim. Acho muito esquisito e feio. Ele deveria ficar sempre grande. Não todo encolhido assim. – Luciana continuava a brincar com meu pênis, ora balançando-o de um lado para outro, ora empurrando e puxando o prepúcio. Aliás, ela parecia sentir algum prazer nisso.
– Não consigo – respondi.
– Claro que você consegue. Chupa meus peitos e se concentra. Pensa que não sei que é assim que a coisa funciona. Com a gente é assim. Com vocês também não deve ser diferente.
Obedeci. E de fato aqueles mamilos nos meus lábios deram resultado. Vendo-o crescer sentiu-se satisfeita e exclamou: – É tão bonito ver ele ficar grande. Parece uma coisa mágica. Parece que ele não vai parar nunca de crescer. Mas aí ele para e se torna tão duro. Nem parece que agorinha era uma coisa horrível e molenga.
Continuou a observá-lo enquanto mexia aqui e ali. Houve um momento em que o soltou e agarrou-me os testículos como já fizera uma vez. Então apertou um e depois o outro entre os dedos. Súbito, indagou:
– É daqui que sai aquela coisa que chamam de “esperma”, não é?
– Não sei. Acho que sim – respondi. De fato não sabia. Era o tipo de garoto, talvez por ser ainda muito jovem, que não se preocupara em conhecer a fundo como se engravidava uma mulher e nem de onde vinha o “aquilo” que saia de mim quando me masturbava. Suspeitava que poderia ser dos testículos, mas não estava certo.
– Como não sabe! Todo homem deveria saber. Como você pode ser tão ingênuo assim, garoto?
Luciana parecia indignada. Eu por outro lado jazia com as faces em brasa de vergonha, por não saber algo que ela me fazia acreditar que tinha a obrigação de saber. Talvez se sua mão não me segurasse firmemente os testículos eu teria me levantado e a deixado sozinha. Mas se tentasse escapar, ela os agarraria e então a dor seria insuportável. Assim, esperei que os soltasse, o que de fato aconteceu pouco depois. Então me levantei.
– Onde você pensa que vai?
– Vou pegar alguma coisa para comer. Estou ficando com fome – respondi.
Luciana me atirou seu olhar faiscante, como se sentisse enganada e declarou:
– Mentira. Sei muito bem o que você vai fazer.
– Não. Não é nada disso.
De fato não mentira. Embora tenha usado uma desculpa para me afastar, não pensava em me masturbar do lado de fora ou noutro canto qualquer. Só não queria mais ficar ali, em suas mãos, sendo usado como um boneco de luxo que quando ela cansa de brincar atira-o num canto até que sente vontade novamente.
– É sim – disse ela quando me viu sair da cabana. – Vem cá – chamou. – Deixa e fazer para você.
Não lhe dei ouvidos. Apanhei a vara de pescar e virei em direção às pedras, onde ela se machucara no dia anterior. Ao me afastar, ainda pude ouvi-la dizer:
– Volte aqui, Sílvio! Se você não quer que eu faça então eu deixo você pôr ele em mim. Ela também quer, tá morrendo de vontade dele.


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SER ADOLESCENTE É(1)... - Foi usado num video produzido pela ONG Instituto Mamulengo Social de São José dos Campos - SP que trabalha com adolescentes.
É POR ISSO QUE TE AMO – Parte de texto foi usada numa campanha publicitária em Belo Horizonte.
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