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Roteiro_de_Filme_ou_Novela-->ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 56 -- 06/08/2013 - 19:09 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 56


ÍNDICE
Capítulo(01) Capítulo(02) Capítulo(03) Capítulo(04) Capítulo(05) Capítulo(06) Capítulo(07) Capítulo(08) Capítulo(09) Capítulo(10) Capítulo(11) Capítulo(12) Capítulo(13) Capítulo(14) Capítulo(15) Capítulo(16) Capítulo(17) Capítulo(18) Capítulo(19) Capítulo(20) Capítulo(21) Capítulo(22) Capítulo(23) Capítulo(24) Capítulo(25) Capítulo(26) Capítulo(27) Capítulo(28) Capítulo(29) Capítulo(30) Capítulo(31) Capítulo(32) Capítulo(33) Capítulo(34) Capítulo(35) Capítulo(36) Capítulo(37) Capítulo(38) Capítulo(39) Capítulo(40) Capítulo(41) Capítulo(42) Capítulo(43) Capítulo(44) Capítulo(45) Capítulo(46) Capítulo(47) Capítulo(48) Capítulo(49) Capítulo(50) Capítulo(51) Capítulo(52) Capítulo(53) Capítulo(54) Capítulo(55)


-- Que bom ver vocês! -- exclamei quando se aproximaram.
-- O que foi? -- perguntou Ana Paula, entrando na água. -- Aconteceu alguma coisa?
-- Não. Não aconteceu nada – menti. -- É que eu fiquei preocupado com vocês duas no meio daquela mata. Por causa daquele barulho estranho que andei ouvindo --comentei com um certo alívio de encontrá-las sãs e salvas.
-- Encontramos uma trilha, subimos por ela e fomos até o topo. Bonita a vista lá de cima. Não é, Marcela?
Marcela parecia mais interessada em me fitar. Parecia desconfiar de alguma coisa, como se em mim houvesse algo que a inquietava.
-- É sim! Dá para ver toda a ilha.
-- E não encontraram nada de diferente? -- perguntei. Talvez elas tivessem visto algo de estranho, mas que não deram importância. Eu não podia aceitar que simplesmente não havia nada de estranho naquela mata e que tudo não passava de fruto da minha imaginado.
-- Diferente como? -- quis saber Marcela.
-- Algum animal ou sinal de pegadas?
-- Não, não vimos nada -- respondeu.
-- Só uma árvore quebrada lá em cima -- Lembrou minha prima.
-- Mas aquilo lá foi um raio -- interveio Marcela.
Lembrei-me que deveriam estar falando da mesma árvore que eu e Luciana tínhamos visto.
-- A gente também viu quando subimos lá.
-- Não acho que tenha algum animal grande na mata. Talvez algum bicho pequeno como um porco selvagem, uma capivara, um macaco ou algo menor ainda – disse Marcela.
-- Talvez. Mas não sei. Ainda acho que tem algo maior. Algo que está se escondendo da gente – falei, sorrindo para ela. Marcela retribuiu-me o sorriso e em seguida baixou a cabeça como que envergonhada.
-- E não acharam nada de interessante para a gente comer?
-- Não – respondeu Ana Paula. -- Achamos um pé de limão, mas eles ainda estão muito pequenos. Até pensei que fosse laranja, mas a Marcela disse que era limão.
-- Lá em casa tem pé tanto dum quanto do outro. Pelo cheiro da folha dá para saber. E aquele que está lá em cima é um pé de limão. Tão pequenininhos ainda, mas dá para ver que é de limão. E do bravo ainda por cima.
-- A gente também não andou muito – interveio Ana Paula. -- Amanhã a gente vai procurar melhor. Andar pela mata e pelo outro lado da ilha. Talvez a gente ache alguma coisa.
-- Ela queria andar mais, mas falei que ia escurecer em breve – explicou Marcela. -- À noite pode ser perigoso. Pode ter cobras e no escuro fica difícil de avistar elas.
-- Você não disse que tinha cobras lá! -- exclamou Ana Paula. -- Se eu soubesse não tinha ido.
-- Todo lugar onde tem floresta, tem cobras. Talvez aqui não tenha porque é uma ilha pequena. Mas não precisa ter medo não. Elas só atacam se sentirem ameaçadas. Se a gente encontrar uma, é só se afastar devagarinho que ela não vai fazer nada com a gente.
-- Eu morro de medo – falei.
Continuávamos de pé, um de frente para o outro, com água até os quadris. Vez ou outra uma onda nos atingia e então tínhamos de saltar para não sermos levados.
-- Eu também tenho medo – disse Ana Paula.
-- Eu não. Sei que elas não mordem a gente se não mexermos com elas. Meu irmão é veterinário. Por isso sei dessas coisas.
Embora nos encontrássemos naquela ilha há mais de uma semana, era a primeira vez que Marcela falava um pouco mais de sua família. Falara dos pais algumas vezes, mas superficialmente. Aliás, isso explicava em parte o porquê dela ser uma menina com tantos conhecimentos sobre coisas da natureza. E embora eu estivesse apaixonado por ela, todos aqueles acontecimentos e os problemas enfrentados por nós até então acabaram impedindo-me indagá-la acerca de seus. Sabia que ela tinha dois irmãos mais velhos, mas não sabia nada sobre eles.
-- E aí? Pegou muitos peixes? -- Perguntou Ana Paula.
-- Peguei dois. Agora só falta limpar e por eles para assar.
-- Hum, já está até me dando fome – brincou Marcela. Nisso nossos olhares se encontraram novamente e sorrimos. Por um momento senti uma vontade incontrolável de aproximar, tomá-la nos braços e beijá-la apaixonadamente. Mas a presença de minha prima inibiu-me. A maldita timidez era o meu ponto fraco. Por causa dela eu renunciava a muita coisa. Por outro lado porém, acabava fazendo outras das quais eu me arrependia profundamente. E não era só a timidez. Ao me ver abraçado à Marcela e trocando carícias, poderia ter uma reação e deixar escapar um comentário acerca do que eu havia feito com ela. Aliás essa lembrança foi determinante para que eu sentisse uma necessidade de me afastar.
-- Daqui a pouco a gente vai e limpa. Já que estamos aqui, vamos nadar, Marcela? Tá calor. -- convidou Ana Paula, dando um mergulho.
-- Vamos.
-- Quer nadar com a gente? -- convidou-me.
Mais uma vez fiquei tentado em aceitar, mas ocorreu-me que Luciana estava na cabana provavelmente precisando de mim para limpá-la, o que contribuiu para que eu não disse sim. Talvez ela ainda estivesse deitada da mesma forma em que a deixara. Súbito, a imagem de seu corpo nu, de suas pernas arreganhadas e de sua vulva lambuzada pelo meu sêmen formou-se em minha mente. “É melhor eu voltar e ver se ela precisa de ajuda. Qualquer coisa eu pego ela e ajudo ela vir n`água se lavar. Ela vai precisar. Senão ela vai ficar com cheiro de porra...” Assim, acabei dizendo:
-- Não. Já estou há algum tempo aqui. Vou ver se a Luciana não precisa de alguma coisa. Talvez ela também queira tomar um banho. Ainda não consegue andar sozinha, apesar de estar melhor. Vou ter que ajudar.
-- Bem feito pra ela. Bem que ela poderia ficar assim por um bom tempo. Não faz falta mesmo! -- declarou minha prima.
-- Também não fale assim. Não se deve desejar o mal de ninguém. E ela faz falta sim. A gente precisa dar uma melhorada na cabana. Não podemos continua dormindo sobre a areia a vida toda. Eu não queria ser pessimista, mas se até agora não acharam a gente é porque já pararam de procurar. E se a gente quiser sair daqui, vai te que ter muita paciência. Vamos ter que esperar alguém vir aqui – falei.
-- Também acho – concordou Marcela. -- Mais dia menos dia alguém vai aparecer por aqui. Talvez um barco passe aqui por perto. Ou até mesmo um avião. Ai a gente faz sinal e eles verão a gente. Que a gente vai sair daqui disso eu não tenho a menor dúvida. Só resta saber quando.
-- Eu já não aguento mais ficar aqui. Quero ir para minha casa. Minha mãe deve estar desesperada. E eles nem sabe que o meu pai morreu – disse Ana Paula começando a chorar.
Marcela aproximou-se e a abraçou. Em seguida acrescentou:
-- Todos eles pensam que estamos mortos. O que sua mãe está passando é o mesmo que nossos pais estão passando.
-- Mas vamos voltar para casa. Só precisamos ter um pouco de paciência e procurar nos mantermos unidos – falei.
-- Se aquela vadia quisesse... Mas ela só quer arrumar confusão – acrescentou minha prima.
-- Então vamos fazer o seguinte: não dê motivos – sugeri. -- Depois de assar e comer aqueles peixes a gente vai ter uma conversa e procurar manter a paz entre a gente. Tá bom?
-- Só quero ver se ela vai aceitar.
-- Claro que vai, prima. Pode deixar que vou ter uma conversa com ela. Por fala nisso, vou voltar. Vê se não demoram muito. Já está escurecendo.
Caminhei em direção à faixa de areia e deixei as duas ali.
Luciana estava do mesmo jeito em que a deixará minutos antes. Apenas havia apoiado a cabeça sobre um dos braços e parecia passar por uma madorna. Parei diante da porta e a observei. Adormecida, sem aquele ar arrogante e ameaçador, pareceu-me mais bonita e encantador. Percorri-lhe os olhos pelo corpo nu e, ao fixá-los no meio das pernas dela, fui tomado pelo devaneio. Imaginei aquela barriga crescendo e seios ficando maiores. Pensei no que ela diria quando vissem que estava grávida. Súbito porém, ocorreu-me que isso acabaria com todas as minhas esperanças de ficar com Marcela, as quais já não eram muitas. Então senti um calafrio, como aquele que sentimos ou termos uma sensação ruim. “Que absurdo! Um filho. Ela não vai ficar grávida. Deus não vai fazer isso comigo. Tá vendo tudo. Sabe que não tive escolha. Ela é a culpada de tudo”, disse para mim mesmo. Tentei pensar noutra coisa, mas observando-a não foi possível. “E quando ela for parir? A gente nasce por ali, pelo meio das pernas. Mas é tão pequena a boceta dela. Como é que um bebê consegue sair por ali. Deve doer. Elas fazem uma força. Já vi em novela e filme também. Elas estão sempre fazendo força, gritando. Também, para sair por ali tem que fazer muita força mesmo! Na hora não quero estar por perto. Vou para o outro lado da ilha. Deve ser muito nojento... Não. Ela não vai parir aqui na ilha. Demora um tempo até que o bebê nasça. Alguns meses. Até lá a gente já foi embora...”
Súbito, ocorreu-me que tinha de despertá-la e levá-la para se lavar. Assim, chamei-a. Ela acordou e, olhando ao redor, acrescentou:
-- Sua priminha e sua paixãozinha ainda não voltaram? Acho que o lobo mau ou aquela coisa que você cisma de ter visto comeu as duas. Tadinha delas... -- acrescentou com sarcasmo.
-- Tão lá na praia. Encontrei com elas agorinha a pouco.
-- Que pena! Não ia nem sentir falta delas. Assim essa ilha ia ser só nossa. Minha e sua. A gente ia viver aqui para sempre.
-- Tá maluca! Não quero ficar aqui para sempre. Quero voltar pra casa.
-- Pois eu não sinto a menor vontade. Pra quê? Meus pais nunca ligaram para mim mesmo. Preferem aquele traste do meu irmão. Ele é o queridinho. Mas eu? Aposto que no fundo nem tão sentindo tanto assim a minha falta.
-- Não fale besteira.
-- Também não quero ficar falando disso. Isso só me faz ficar com raiva. Estou bem melhor aqui. Ninguém fica me chamando de “galinha” e “papa macho”.
-- O que você quer? Por que não ficou lá com elas? Eu nem ia brigar. Sei que você não ia fazer nada mesmo – disse ela após um esforço para se sentar.
-- Por que não? -- retruquei.
-- Por que não sou idiota. Primeiro, porque você não ia estar com tanta vontade assim. Não faz uma hora que você tinha acabado de gozar em mim. Ainda tô melada da tua porra. Em segundo lugar, você não ia ter culhão para transar com as duas. Terceiro, você é fraco e moralista demais para transar com a própria prima. Para fazer isso você teria de estar desesperado de vontade, mas não está. Quarto, você ama aquela idiota da Marcela e por isso mesmo não vai de jeito nenhum transar com outra mulher na frente dela, menos ainda com a sua priminha. Então, enquanto as duas estiverem juntas, eu não tenho porque ficar com medo.
De certa forma ela estava com a razão, contudo, enganara-se quanto à minha prima. Como já é de conhecimento do leitor, embora tenha sido por impulso, cheguei transar com Ana Paula. Aliás, Luciana chegou a desconfiar pouco depois, mas tal desconfiança não foi à frente justamente porque de fato ela me achava incapaz de fazer isso com uma prima.
-- É. Não seria mesmo! -- menti, procurando não demonstrar que mentia.
Nesse instante tive uma ideia. “Se ela não desconfia das duas juntas então tenho uma chance de ficar com Marcela. Ana Paula gosta dela. Elas são amigas. A gente pode sair os três juntos. Ana Paula fica em algum lugar nos esperando e eu fico com a Marcela”. E ao chegar a essa conclusão, tive de virar para o outro lado a fim de esconder minha alegria.
-- Anda, seu idiota! Me ajuda a levantar. Quero fazer xixi e preciso me lavar.
Aproximei e peguei em seu braço. Ela se levantou e, escorada em mim, deixamos a cabana em silêncio. No entanto, dentro de mim uma alegria se espalhava como se todos os problemas houvessem sido resolvidos. Pensava nos momentos a sós com Marcela. Poderíamos nos esconder atrás de uma medra e se amar livremente. E durante esses devaneios, não me ocorreu que, ao melhorar, Lucina estaria livre para nos vigiar, mesmo que eu estivesse com Ana Paula.


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